sexta-feira, 28 de junho de 2013

Do Cebi

Pedra de apoio ou pedra de tropeço? (Mt 16,13-19) - Mesters, Lopes e Orofino

por CEBI Publicações
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A COMUNIDADE DE FÉ
PEDRA DE APOIO OU PEDRA DE TROPEÇO?
Mateus 16,13-19

Texto extraído do livro "Travessia: Quero misericórdia e não sacrifício" - Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Mateus. Coleção a Palavra na Vida 135/136 do CEBI. Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. Mais informações em vendas@cebi.org.br.

Neste texto aparecem muitas opiniões sobre Jesus e várias maneiras de se expressar a fé. Pedro, por exemplo, tem opiniões e atitudes tão opostas entre si que parecem não poder caber na vida de uma mesma pessoa. Hoje também existem muitas opiniões diferentes sobre Jesus e também várias maneiras de viver a fé, tanto dentro da gente como dentro da comunidade. Vamos conversar sobre isso.

SITUANDO
Estamos na parte da narrativa entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o Sermão da Comunidade (Mt 18). Geralmente, nestas partes narrativas que ligam entre si os cinco sermões, Mateus costuma seguir a sequência do Evangelho de Marcos. De vez em quando, cita outras informações, também conhecidas por Lucas. E aqui e acolá, traz textos que só aparecem no Evangelho de Mateus, como é o caso da conversa entre Jesus e Pedro no texto de hoje. Este texto recebe interpretações diversas e até opostas nas várias igrejas cristãs.
Naquele tempo, as comunidades cultivavam uma ligação afetiva muito forte com as lideranças que tinham dado origem à comunidade. Por exemplo, as comunidades de Antioquia na Síria cultivavam a sua ligação com a pessoa de Pedro. As da Grécia com a pessoa de Paulo. Algumas comunidades da Ásia com a pessoa do Discípulo Amado e outras com a pessoa de João do Apocalipse. Uma identificação com estes líderes da sua origem ajudava as comunidades a cultivar melhor a sua identidade e espiritualidade. Mas também podia ser motivo de briga, como no caso da comunidade de Corinto (1Cor 1,11-12).

COMENTANDO
1. Mateus 16,13-16: As opiniões do povo e dos discípulos a respeito de Jesus
Jesus faz um levantamento da opinião do povo a respeito da sua pessoa. As respostas são variadas: João Batista, Elias, Jeremias, algum dos profetas. Quando pergunta pela opinião dos discípulos, Pedro se torna porta-voz e diz: "Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo!" A resposta não é nova. Anteriormente, os discípulos já tinham dito a mesma coisa (Mt 14,33). No Evangelho de João, a mesma profissão de fé é feita por Marta (Jo 11,27). Ela significa que em Jesus se realizam as profecias do Antigo Testamento.
2. Mateus 16,17: A resposta de Jesus a Pedro: "Feliz você Pedro!"
Jesus proclama Pedro "Feliz!", porque recebeu uma revelação do Pai. Aqui também a resposta de Jesus não é nova. Anteriormente, Jesus tinha louvado o Pai por ele ter revelado o Filho aos pequenos e não aos sábios (Mt 11,25-27) e tinha feito a mesma proclamação de felicidade aos discípulos por estarem vendo e ouvindo coisas que antes ninguém conhecia (Mt 13,16).
3. Mateus 16,18-19: As atribuições de Pedro: ser pedra e tomar conta das chaves do  Reino
3.1 Ser pedra: Pedro deve ser pedra, isto é, deve ser fundamento firme para a igreja a ponto de ela poder resistir contra as portas do inferno. Com estas palavras de Jesus a Pedro, Mateus anima as comunidades perseguidas da Síria e da Palestina que viam em Pedro a liderança marcante da sua origem. Apesar de fraca e perseguida, a comunidade tem fundamento firme, garantido pela palavra de Jesus. Ser pedra como fundamento da fé evoca a palavra de Deus ao povo no exílio:  "Vocês que buscam a Deus e procuram a justiça, olhem para a rocha (pedra) de onde foram talhados, olhem para a pedreira de onde foram extraídos. Olhem para Abraão seu pai e para Sara sua mãe. Quando os chamei, eles eram um só, mas se multiplicaram por causa da minha bênção" (Is 51,1-2). Indica um novo começo do povo de Deus.
3.2 As chaves do Reino: Pedro recebe as chaves do Reino. O mesmo poder de ligar e desligar diz: "É necessário que o Messias sofra e seja morto em Jerusalém". Dizendo que "é necessário", ele indica que o sofrimento estava previsto nas profecias. Não só o triunfo da glória, também o caminho da cruz. Se os discípulos aceitam Jesus como Messias e Filho de Deus, devem aceitá-lo também como Messias Servo que vai ser morto. Mas Pedro não aceita a correção de Jesus e procura dissuadi-lo.

3. ALARGANDO
Igreja, Assembleia
A Palavra Igreja, em grego ekklésia, aparece 105 vezes no Novo Testamento, quase exclusivamente nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas. Nos Evangelhos aparece três vezes, só em Mateus. A palavra significa literalmente "convocada" ou "escolhida". Ela indica o povo que se reúne convocado pela Palavra de Deus e procura viver a mensagem do Reino que Jesus trouxe. A Igreja ou a comunidade não é o Reino de Deus, mas sim um instrumento e uma amostra do Reino. O Reino é maior. Na Igreja, na comunidade deve ou deveria aparecer aos olhos de todos aquilo que acontece quando um grupo humano deixa Deus reinar e tomar conta de suas vidas.

Pedro, Pedra
Jesus deu a Simão o apelido de pedra (Pedro). Pedro era fraco na fé, duvidou, tentou desviar Jesus, teve medo no horto, dormiu e fugiu, não entendia o que Jesus falava. Ele era como os pequenos que Jesus proclamou felizes. Pedro era apenas um dos doze e deles se fazia porta-voz. Mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, a sua figura cresceu e se tornou símbolo da comunidade.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um apoio para a reflexão:
“O fruto da evangelização e da catequese é fazer discípulos, acolher a Palavra,
aceitar Deus na própria vida, como dom da fé. O seguimento de Jesus Cristo realizase
na comunidade fraterna. O discipulado, como aprofundamento do seguimento,
implica renúncia a tudo o que se opõe ao projeto de Deus” (DNC 34).
"A Catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A Igreja
se edifica a partir da pregação do evangelho, da catequese, da liturgia, tendo como
centro a celebração da Eucaristia. A catequese é um processo formativo, sistemático,
progressivo e permanente de educação da fé. Promove a iniciação à vida comunitária,
à liturgia e ao compromisso pessoal com o Evangelho. Mas prossegue pela vida
inteira, aprofundando essa opção e fazendo crescer no conhecimento, na participação
e na ação” (DNC 233).
“Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir
este tesouro aos demais é uma tarefa eu o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos
escolher” (DA 18).
Para aprofundar: Tem algum relato de vocação na Bíblia que me chama a atenção? Vamos
procurar mais um exemplo de vocação que possa iluminar a vocação do catequista?
“Aos catequistas, delegados da Palavra e animadores de comunidades que cumprem uma magnífica
tarefa dentro da Igreja, reconhecemos e animamos a continuarem o compromisso que adquiriram
no batismo e na confirmação” (DA 211).
“Quanto à situação atual da catequese, é evidente que tem havido um progresso. Tem crescido o
tempo que se dedica à preparação para os sacramentos. Tem-se tomado maior consciência de sua
necessidade tanto nas famílias como entre os pastores. Compreende-se que ela é imprescindível em
toda formação cristã. Tem-se constituído ordinariamente comissões diocesanas e paroquiais de
catequese. É admirável o grande número de pessoas que se sentem chamadas a se fazer catequistas,
com grande entrega. A elas, esta Assembléia manifesta um sincero reconhecimento” (DA 295).
“A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à
iniciação cristã, mas sim “um itinerário catequético permanente” (DA 298).
“O encontro com o Ressuscitado transforma o medo em coragem; a fuga em
empolgação; o retorno em nova iniciativa; o egoísmo em partilha e compromisso até a
entrega da vida” (Texto Base do Ano Catequético, n. 3).
“A catequese, começando pela iniciação cristã e chegando a constituir-se em um
processo de formação permanente, é caminho de encontro pessoal e comunitário
com Jesus Cristo, que é capaz de mudar nossa vida, levar ao engajamento na
comunidade eclesial e ao compromisso missionário. Quem se encontra com ele, põese
a caminho em direção aos irmãos, à comunidade e à missão. (Texto Base do Ano
Catequético, n. 6).

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Dos Cadernos de Formação
Jesus: Boa notícia para os pobres e dom de Deus para o mundo.
Jesus anuncia a boa-nova, prega o Reino aos pobres por palavras e obras. Os sinais que ele
realiza apontam para o Reino e suscitam a esperança de que o Reino é possível mesmo no meio da
realidade oprimida. A prática de Jesus tem uma dimensão sócio-política, porque se expressa em
forma de justiça nas relações sociais. É um amor conflitivo que rompe com as cadeias da injustiça e
do pecado e leva a um novo dinamismo, a uma transformação integral.
A prática de Jesus é também uma prática profética, porque leva a combater tudo o que é
anti-reino, na defesa do verdadeiro Deus e na denúncia dos ídolos que ameaçam a vida do povo.
Jesus não ficou alheio às controvérsias de seus adversários sobre a realidade social e religiosa. O
evangelista Marcos acentua os conflitos de Jesus em diversos episódios: a cura do paralítico (2,1-
12); comer com os pecadores (2,15-17); a questão do jejum (2,18-22); espigas colhidas em dia de
sábado (2,23-28); a cura da mão seca (3,1-6).
O que realmente está em jogo é a visão de Deus. Por isso, Jesus não teme defender os
injustiçados, apontando para o Deus da vida e desmascarando as leis e os costumes que não estão a
serviço da vida humana.
Nenhuma lei pode estar acima da vida humana, mas a seu serviço.e nenhuma tradição de fé
pode ofuscar o mistério da vontade de Deus. É esta a causa de Jesus, ao desmascarar e denunciar a
imagem opressora de Deus. Ao denunciar esta imagem Jesus atrai a ira das classes que produzem
essa falsa imagem de Deus a serviço de interesses próprios.
Jesus escandaliza as autoridades quando equipara o amor de Deus ao amor do próximo. A
missão foi para Jesus e é para seu seguidor a forma de manter a supremacia do amor. Ter uma
missão é o que dá sentido a vida de Jesus e o amor é o princípio fundamental de sua vida.
Cristo está presente, escondido e sem rosto, na dor dos pobres e está também salvificamente
presente em todos aqueles que se aproximam dos pobres para libertá-los.
Missão libertadora em favor das vítimas
O modo de Jesus viver a fé é conflitivo: Jesus se coloca a favor dos oprimidos e contra os
opressores. Seu seguimento é conflitivo, porque gera perseguições.
Os pobres além de destinatários privilegiados da missão de Jesus, são sacramento da sua
presença, porque tornam presente Jesus profeta e evangelizador. Para conhecer Jesus é necessário
conhecer os pobres (Jon Sobrino).

quarta-feira, 22 de maio de 2013


Seu nome é Jesus - Pedro Casaldáliga


À Juventude envolvida nos desafios da
Jornada Mundial da Juventude

Seu Nome é Jesus
Deus veio até a casa, desdizendo-se de sua glória.
Pediu licença
ao ventre de uma menina sacudido por um decreto de César,
e se tornou um de nós:
um palestino entre tantos, em sua rua sem número,
semiartesão de toscas tarefas,
que vê passar os romanos e as andorinhas,
que morre depois, de morte ruim, matada,
fora da Cidade.
Já sei
que faz muito que os sabeis,
que vo-lo dizem,
que o sabeis friamente
porque vo-lo disseram com palavras frias...
Eu quero que o saibais
de repente,hoje, quiçá,
pela primeira vez,absortos, desconcertados, livres de todo mito,
livres de tantas mesquinhas liberdades.
Quero que vo-lo diga o Espírito,
qual machadada em tronco vivo!
Quero que O sintais como um esto de sangue no coração da rotina,
em meio a esta carreira de rodas entrechocadas.
Quero que tropeceis com Ele como se tropeça com a porta da Casa,
retornados da guerra, sob o olhar e o beijo impaciente do Pai.
Quero que O griteis
como um alarido de vitória pela guerra perdida,
ou como o parto sangrante da esperança
no leito de vosso tédio, noite adentro, apagada toda ciência.
Quero que O encontreis, em um total abraço,
Companheiro, Amor, Resposta.
Podereis duvidar de que haja vindo para casa,
se esperais que vos mostre a patente dos prodígios,
se quereis que vos sancione a desídia da vida.
Mas não podeis negar que seu nome é Jesus, com patente de pobre.
E não podeis negar-me que O estais esperando
com a louca carência de vossa vida rejeitada
como se espera o sopro para sair da asfixia
quando a morte já se enroscava ao pescoço,
como uma serpente de perguntas.
Seu nome é Jesus.
Seu nome é como seria nosso nome
se fossemos, de verdade, nós mesmos.

Quando vier o Espírito da Verdade (Jo 16,12-15) - Tea Frigerio


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"A verdade vos libertará, libertará!" (cf. João 8,32). Palavras de um canto de alguns anos atrás. Palavras que cantávamos com paixão. Palavras que vieram à lembrança ao ler esta memória das comunidades dos discípulos e das discípulas amadas.
Com o canto, vieram umas interrogações:
•· O que Jesus ainda havia de dizer que não podiam suportar?
•· O que o Espírito da Verdade haveria de revelar?
•· Em que caminhos haveria de guiar os discípulos e as discípulas amadas?
Senti-me convidada e retomar o caminho desde o início do Evangelho desta comunidade.
De noite, Nicodemos, perplexo, havia perguntado a Jesus: Como um homem pode nascer de novo? Da água e do Espírito, que como vento sopra onde quer, ouves o ruído e não sabes de onde vem nem aonde vai... (cf. João 3,4-11). Parece que Nicodemos não compreendeu!
Junto ao poço, a Samaritana desafiou Jesus: Onde adorar? Esta é a hora de adorar em Espírito e em Verdade... (cf. João 4,19-24). A Samaritana compreendeu, pois havia experimentado a hora em sua vida.
Espírito, Verdade, Hora são anéis da mesma corrente, a corrente do discipulado.
A hora de Jesus é a hora em está para deixar quem o segue pelo caminho. É sua presença que revela o Deus libertador, o Deus presente na Vida, na História. Estahora tornara-se insuportável ao "mundo" e aos donos da "religião" que ele havia denunciado e que já o tinham condenado à morte (João 11,49-52).
A hora é agora em que Jesus, o Mestre, está para subir a uma morte violenta. Porém, eles e elas ainda não penetraram a realidade profunda do homem Jesus de Nazaré, aquele que revela o Pai.
Hora que se torna hora da consolação e da promessa da presença fiel e permanente do Espírito da Verdade.  Espírito da Verdade que fala através da metáfora: "Quando a mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, dá a luz à criança ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um ser humano" (João 16,20-22).
O caminho do discipulado é o caminho de conhecer a hora, como a mulher conhece em seu corpo o mistério da "hora". A hora para a qual ela se preparou a vida inteira. Ahora da espera, a hora da gravidez, a hora de dar à luz. A hora da dor e da alegria. Ahora de ter nos braços a criança para acalentá-la, alimentá-la, amá-la. Hora de reter e de deixar ir. Hora de a comunidade adulta ser testemunha daquilo que experimentou, caminhando com seu Mestre, Belo Pastor (João 10,11).
O Espírito da Verdade, a Divina Ruah que conduziu o homem Jesus de Nazaré, será presença constante e fiel que fará brilhar sua experiência com Jesus de nova luz, que o levará a compreender e viver em plenitude a sua "hora".
A hora para Jesus:
•· Ele antecipa a hora por causa da necessidade da comunidade (João 2,4).
•· Anuncia a nova hora ao se encontrar com o diferente (João 4,21).
•· Identifica sua hora com a hora da mulher (João 16,21).
•· Vive sua hora como o grão de trigo que gera vida (João 12,23-26).
A hora de Jesus é a hora da cruz. A hora em que do seu coração vai jorrar sangue e água. A hora do brotar das águas para dar à luz o novo homem e a nova mulher, para dar à luz a nova comunidade.
A hora de Jesus se torna a hora da comunidade: "dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa... tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito"(João 19,27.30).
A hora da comunidade, lá onde mulher e homem vivem o discipulado de iguais na diaconia:
•· No serviço da hora que transforma a água em vinho tornando a festa mais festa.
•· No serviço dos sinais que restauram a vida.
•· No serviço da universalidade do crer e do amar que bebe no poço da água viva.
•· No serviço da intrepidez, da ousadia que faz suas as palavras da confissão: Tu és o Cristo.
•· No serviço do bálsamo derramado, boa notícia de mulher até hoje.
•· No serviço da solidariedade aos pés da cruz que se torna amor de oblação que oferece e acolhe.
•· No serviço que busca, e no jardim encontra, reconhece, anuncia o homem e a mulher renascidas.
O Espírito da Verdade manifestará a sua glória que é a glória da hora. A hora do amor ágape que recorda - acorda - testemunha o seu mistério que é seu ministério:
                                          Ministério da antecipação
                                          Ministério da parceria
                                          Ministério da dignidade
                                          Ministério da diaconia
                                          Ministério da profecia
                                          Ministério do anúncio
                                          Ministério da vida.

Tea Frigerio é autora da Coleção Curso Popular de Bíblia e de outras publicações.

quarta-feira, 8 de maio de 2013


Do site do Cebi


Ascensão: tarefa nossa de levar adiante o Reino de Deus (Lucas 24.46-53) - Claudete Beise Ulrich


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E tarefa nossa levar adiante o Reino de Deus que se mostra no Amor praticado.



Neste tempo especial da Ascensão e Dia das Mães, é o final do Evangelho de Lucas (Lucas 24.46-53) que nos inspira e nos convida à reflexão. A primeira parte do texto (Lucas 24.46-49) é uma breve interpretação da vida de Jesus numa perspectiva de continuidade da história. Os versículos 50 a 53 apresentam o evento da Ascensão propriamente dito, isto é, narram os acontecimentos que fazem a transição entre o fim da presença física de Jesus em meio aos discípulos e às discípulas e o começo da história da Igreja.
Assim está escrito
O texto que conclui o Evangelho de Lucas convida para uma visão de conjunto de todo o evangelho, ressaltando que o testemunho da boa-nova é movido pela experiência de encontro com o Cristo vivo e ressurreto, celebrado em torno do partilhar do pão, da leitura das Escrituras e da missão que permanece para os discípulos e as discípulas: "pregar em seu nome (Cristo Jesus) o arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém".
Portanto, ser testemunha de Jesus é estar comprometido com a construção da paz, de uma profunda conversão diária, não só pessoal, mas também estrutural. Por isso, a importância de começar por Jerusalém. Jesus ressurreto anuncia: "Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder". A cidade de Jerusalém não é mero registro geográfico, mas é o lugar messiânico onde o evangelho inicia e desde onde as nações o receberão.   Portanto, o medo será vencido pelo poder que virá do alto. Aqui o autor do Evangelho de Lucas já aponta para o acontecimento de Pentecostes, o qual podemos ler no capítulo 2 de Atos dos Apóstolos.
Jesus abençoa e se despede
Jesus leva os discípulos e as discípulas até Betânia. Jesus se retira da presença de seus amigos e amigas em Betânia. Ali, acontecem momentos muito significativos e importantes na vida de Jesus. Em Betânia, ele tem duas amigas, Marta e Maria (Lucas 10.38-42), e o amigo Lázaro (João 11.1). Em Betânia, Jesus é ungido (Marcos 14.3-9). Dali, ele parte para a sua entrada triunfal em Jerusalém (Lucas 19.29-37). O momento da Ascensão de Jesus é reservado aos que testemunharam e acompanharam a sua tarefa e que deverão, de agora em diante, levar a sua mensagem de amor ao mundo todo. Jesus despede-se carinhosamente com a bênção. A bênção de Jesus, desta forma, é única. Jesus abençoa porque se cumpriu o tempo de servir, chegou o tempo de ser glorificado (Lucas 24.50): "Jesus erguendo as mãos os abençoou". O gesto de erguer as mãos lembra o servir. E a bênção transmitida por Jesus é a força presente para a caminhada e a ação daqueles e daquelas que vão levar adiante a sua tarefa.
Jesus abençoa e se despede. A despedida de Jesus pode ser comparada com a visita de uma pessoa muito amiga e especial. Fica-se acenando até que se perca de vista a pessoa amada. Assim, penso que foi com a despedida de Jesus. Enquanto abençoava, afastava-se dos e das suas queridas. O tempo de Jesus na terra está encerrado, mas temos uma promessa: ele voltará. Porém, não estamos sós, pois nos enviou o poder do alto (realização de Pentecostes). O céu significa a participação plena de Jesus na vida de Deus. A Ascensão de Jesus, portanto, é descrita como um momento de enlevo também para os/as discípulos/as. Não há nada que descreva espanto, desorientação ou medo. A reação deles/as é de alegria e de louvor a Deus. Pareciam compreender perfeitamente o que estava acontecendo.
Ascensão: leva ao louvor a Deus e encaminha para um novo viver
Nos versículos 52 e 53 lemos: "Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus". Não somente Deus merece adoração, mas também Jesus Cristo é adorado, glorificado. Depois do momento de bênção e despedida de Jesus, e como resposta dos/as discípulos/as o momento de adoração a Jesus, eles voltam a Jerusalém, cheios de alegria e júbilo. A alegria dos/as discípulos/as não é uma alegria qualquer, cotidiana. É uma alegria profética, intimamente ligada à confirmação de que Jesus é o Messias. Tudo aquilo que ele viveu, fez e anunciou é verdade. A superação de todos os males da condição humana e planetária é possível. Outro mundo é possível! A alegria é a alegria pela libertação: Jesus, o Cristo, venceu a morte, ressuscitou e agora está junto de Deus. Conclui-se o que o evangelista já tinha anunciado em Lucas 1.14: o anúncio do nascimento de Jesus foi motivo de alegria para todo o povo. De agora em diante, Jesus não está mais conosco como ser humano, mas vive-se da fé naquele que viveu e anunciou o Reino de Deus e que, erguendo-se da terra, confirma o seu poder alicerçado no amor. O louvor a Deus é consequência da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, que encaminha para um novo viver em comunhão na espera do cumprimento da promessa do envio do Espírito Santo (Atos 2.42,47).
Ascensão e Dia das Mães
Duas datas importantes e queridas em nossas comunidades no Brasil e em todo o mundo. Aqui na Alemanha, Ascensão é feriado nacional e acontecem muitas celebrações e cultos. No Brasil, a celebração da Ascensão muitas vezes é um tanto esquecida. Como não é uma data comercial, não se pode vender muita coisa. Então, trata-se de esquecer esta data tão importante para nós que cremos em Jesus Cristo. A despedida de Jesus, a sua glorificação diante dos discípulos e das discípulas, fortalece a esperança e a luta pela superação dos mecanismos de opressão, marginalização e morte. Jesus dá esta tarefa a nós seus seguidores e seguidoras. A Ascensão é o sinal definitivo de que Deus pode mudar a realidade, vencendo as limitações humanas e os poderes deste mundo.
Essa esperança leva a celebrar. A celebração dá-se pelo ouvir a Palavra, partir do pão, louvor, agradecimento, reconhecimento, adoração, bênção, despedida. Assim, podemos também nós celebrar a Ascensão daquele que amamos e seguimos, Jesus Cristo. As comunidades que seguem a Cristo são também comunidades radicalmente acolhedoras e inclusivas, ecumênicas e comprometidas, pois, assim como os discípulos e as discípulas após a ressurreição, também entenderam que Deus põe-se do lado da Vida.
Quando celebramos Ascensão, lembramos também que, no segundo domingo de maio, celebramos o Dia das Mães. Assim, lembramo-nos de todas as mães de nosso Brasil, do continente latino-americano e do mundo. A celebração é um momento central na vida e na luta contra todas as violências e sofrimentos que também muitas mães enfrentam em seu cotidiano. Jesus sempre esteve acompanhado de sua mãe em todos os momentos importantes do seu ministério, da sua vida, morte e ressurreição. Portanto, as mães acompanham com fé e amor a vida de seus filhos e filhas, sofrem com suas dores e sonham esperançosas com um futuro bonito para eles e elas. A memória da Ascensão lembra-nos da vida toda de Jesus e acende em nós a chama do compromisso de construir um mundo de paz, justiça e amor, em harmonia com toda a natureza e todos os povos. Agradecemos às nossas mães na fé que nos transmitiram estes ensinamentos e pedimos ao Trino Deus: Ajuda-nos, como mães, a transmitir adiante às futuras gerações: nossos filhos e filhas e aos filhos e filhas de nossos filhos e filhas, a alegria da Ascensão de Jesus: ele ressuscitou, venceu a morte, foi elevado aos céus e está junto com Deus. E nós não estamos sós, porque em 10 dias, será Pentecostes!
(*) Claudete Beise Ulrich, pastora luterana
Atualmente resido em Hamburgo, Alemanha, e lembro que iniciou no dia 01 de maio, dia do trabalhador e da trabalhadora, mais um Dia da Igreja Evangélica na Alemanha, com o tema "quanto você precisa para viver", baseado no texto de Êxodo 16.18 ("cada um recolhia quanto necessitava"). O dia da Igreja Evangélica na Alemanha realiza-se de dois em dois anos e reúne muitas pessoas (mais de 100.000), num colorido e numa diversidade impressionantes. Serão oferecidos mais de 2500 programas com temas de uma Igreja a Caminho, ecumênica, comprometida e solidária com a promessa de Vida abundante e justa para todas as pessoas e para nossa Terra.
Lembro este importante evento, pois o Dia da Igreja Evangélica aqui na Alemanha realiza-se num período muito importante no calendário cristão, entre as celebrações da Ascensão e de Pentecostes. Um tempo especial na vida de cristãos e cristãs, onde somos lembrados de que Jesus ressuscitado, glorificado, ausenta-se e deixa para nós a tarefa de levar adiante em palavras e ações a tarefa do Reino de Deus.

domingo, 5 de maio de 2013

Estamos reunidos na casa do Vanderlei, eis a pauta:

Reunião Setorial de Catequese

Dia 05 de maio de 2013.
Local: casa do Vanderlei
- Avaliação do curso Espiritualidade.
- Encontro Diocesano dia 26 de maio.
- Noticias da diocese.
- CPS.
- Reunião Setorial.
- Encontro com o Padre Zé Luiz.

terça-feira, 30 de abril de 2013


Algumas anotações do nosso amigo Felipe Aguiar, do curso dado pelo padre Ronaldo.


Nossa vida é uma caminhada, e precisamos parar, e alimentar para seguir o caminho, nossa vida é assim, analisar se estamos no caminho certo, e no caminho temos que fazer isso, caminhar, parar, e se alimentar de um alimento bom, para seguir o caminho certo. Não deixar que esse encontro seja mais um, e poder de coração saborear a palavra de Deus, deixar que esta palavra entre dentro de nós, dentro de nosso coração, pois se esta palavra entra em nosso coração ela estará como se estivesse em nossas mãos, quantas pessoas que não falam de Deus para nós, mas ao olharmos a essas pessoas percebemos que são cristãs, pois tem dentro de si o próprio Deus.
Nossa Tentação é querer saborear os outros e não nós mesmos; se alguém me pedir pão só darei pão, se me pedirem agua, darei só agua, pois isso devemos nos alimentar e oferecer aos nossos catequizandos o amor, por isso devemos alimentar da palavra de Deus, pois senão diremos a ele o que nós queremos e não o que Deus quer que falemos a eles.
Quando silenciamos nosso coração nos dá medo, pois encontramos com nossas misérias e dai vem em nosso coração o despertar de uma mudança, e ai temos dificuldade de silenciar nosso coração. E vem a dificuldade de mudança de vida (Ex: mudanças na paróquia) porque mudar temos que renunciar muitas coisas, mudança é um desafio, mudança dentro de nós necessita de uma nova organização interior. Temos que ter auxilio de Deus para que possamos nos organizar, pois sozinhos não conseguimos, pois até os discípulos dizem nos Atos dos Apóstolos que eles necessitam do auxilio do Espirito Santo.

Espiritualidade
Espiritualidade não é rezar o dia inteiro, não é sermos anjos, mas é ser homens e mulheres com o pé no chão e no coração em Deus, sendo conduzidos pelo Espirito Santo, é a motivação ultima que move as pessoas, quando procuramos viver essa espiritualidade nossa vida vai bem , pois é a nossa motivação, quando deixamos que Deus conduza nossa vida é diferente, isso é ter espiritualidade, alguns dizem que espiritualidade é ter sentimentos de Jesus,  é procurar a fazer aquilo que ele fez, como na musica de Padre Zezinho.
Espiritualidade é segmento, é aquilo que direciona nossa vida, é o sol, aquela que ilumina que energiza, é caminho, é o ar que respiramos, nos anima, é o combustível, e muitas vezes na nossa vida somos como cascas, pois dentro de nós não existe nada. Espiritualidade é tudo aquilo que faço e sou.
Existem varias fontes da espiritualidade e uma dela é a palavra de Deus,  que é fundamental, outra fonte é a Eucaristia, outras são os documentos da igreja que nos ajudam a crescer em espiritualidade, como a vida dos próprios santos, que hoje nos ajudam a cultivar nossa espiritualidade, e não podemos esquecer-nos da palavra de Deus, jamais se esquecer dela. E lembrar que jamais conseguiremos fugir da nossa espiritualidade. 

sábado, 13 de abril de 2013


 Quando não fazemos um encontro com Deus, caímos no erro de achar que Deus é como pensamos e está somente ao nosso serviço. Oração não é só pedir, é, sobretudo, um encontro com o Deus que nos ama. A oração deve levar ao crescimento. A pessoa pode rezar por oras, mas, se não leva ao crescimento, à sensibilidade, a ser mais humano, a olhar com o coração, ela não está sendo eficaz para a vida. A oração tem me levado a perdoar mais e a ser melhor?
A Espiritualidade deve fazer que saiamos ao encontro do outro, abaixar-se diante do outro para servir. Jesus deu o exemplo lavando os pés dos discípulos, ele que era o mestre se pôs a serviço. Despojar de si mesmo, se doar ao outro, construir o Reino de Deus. 

Estudo do texto de Gênesis 12,1-9. Abrão deixa tudo e vai para a terra que Deus lhe manda, não tem medo e deixa se conduzir. Como Deus falou a Abrão, o que Ele fala para mim? Ás vezes, não paramos para ouvir Deus, e perdemos ao longo do caminho a preciosidade do amor de Deus.
A modernidade trouxe muito avanço, mas com ela também veio a perca da intimidade com Deus. Como resultado a superficialidade. Não tem como crescer na Espiritualidade sem a oração, sem “gastar” tempo para a oração. Oração é relacionar-se com Deus, ouvir e falar, ou seja, dialogar. Deus me oferece tudo e o que eu ofereço a Ele? Oração é encontro de dois corações que se amam (Santa Terezinha). Quando não fazemos um encontro com Deus, caímos no erro de achar que Deus é como pensamos e está somente ao nosso serviço. Oração não é só pedir, é, sobretudo, um encontro com o Deus que nos ama. A oração deve levar ao crescimento. A pessoa pode rezar por oras, mas, se não leva ao crescimento, à sensibilidade, a ser mais humano, a olhar com o coração, ela não está sendo eficaz para a vida.
Algumas reflexões do curso de espiritualidade:

Espiritualidade

É necessário tirar tempo para “ruminar” a Palavra de Deus. O silêncio é desafiador, pois dá medo. Hoje a sociedade tem dificuldade de silenciar.
É preciso mudar, deixar para trás aquilo que impede de se tentar o novo.
Vamos organizar a nossa “casa” no dia de hoje. Espiritualidade é ser homens com os pés no chão e no coração de Deus. Deus é quem dá sentido a vida humana, ter uma Espiritualidade que move o ser humano, uma espiritualidade que faz que cada dia possa viver como Jesus viveu. Espiritualidade é caminho que nos anima e  nos dá energia, é o combustível para a vida. Espiritualidade é tudo que faço e sou.
Uma das fontes da Espiritualidade é a Palavra de Deus, outra fonte a Eucaristia, e também a vida dos santos. 
Estamos no Juvenato para o curso de Espiritualidade com o Padre Ronaldo, pároco de Fama-Mg.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Do cebi

Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão (Jo 13,1-15) - Mesters, Lopes e Orofino

Terça-feira, 26 de março de 2013 - 22h14min
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         Texto extraído do livro RIO-X DA VIDA – Círculos Bíblicos do Evangelho de João. Coleção A Palavra na Vida 147/148. Autoria de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. CEBI Publicações. Saiba mais com vendas@cebi.org.br

OLHAR O ESPELHO DA VIDA

Vamos refletir sobre o texto que descreve o último encontro de Jesus com seus amigos. Vamos fechar os olhos e imaginar que estamos na sala com Jesus, ao lado de Pedro. Durante a leitura, vamos prestar atenção no gesto de Jesus e na reação de Pedro.

SITUANDO

O Evangelho de João tem uma dinâmica que envolve os leitores e as leitoras. No primeiro livro, o Livro dos Sinais (1,19 a 11,54), vemos a revelação progressiva que Jesus fazia de si e do Pai. Pouco a pouco, a gente ficou sabendo quem é Jesus e qual a missão que recebeu do Pai. Paralelamente a esta revelação, apareciam a aceitação por parte do povo e a resistência por parte das autoridades religiosas. No fim, o balanço foi o seguinte. O grupo fiel dos discípulos e das discípulas, mesmo sem entender tudo, aceitou Jesus, acreditou nele e se comprometeu com ele.

O segundo livro, o Livro da Glorificação, tem outra dinâmica. Na primeira parte (Jo 13 a 17), Jesus se reúne com o grupo fiel na última ceia. Na segunda parte (Jo 18 e 19), o outro grupo toma as providências para executar o plano de matar Jesus. Na terceira parte (Jo 20 e 21), Jesus ressuscitado reencontra a comunidade e a envia em missão, a mesma que ele recebeu do Pai.

COMENTANDO

João 13,1 – A passagem, a páscoa de Jesus
Finalmente, chegou a Hora de Jesus fazer a passagem definitiva deste mundo para o Pai. Esta passagem através da morte e ressurreição é motivada pelo amor aos amigos: “Tendo amado os seus, amou-os até o fim!” É o êxodo, a páscoa de Jesus, que vai abrir a passagem para todos nós, de volta para o Pai.

João 13,2-5 – O lava-pés: dois contrastes
Chama a atenção a maneira contrastante como João apresenta a cena do lava-pés. Ele diz que Jesus e os discípulos se encontraram à mesa numa refeição. Para os judeus, a comunhão de mesa era um momento de muita intimidade, onde só participavam os maiores amigos. Mas aqui, Judas, que já tinha decidido entregá-lo, está presente e participa. O amor de Jesus é maior. Ele aceita Judas na mesa. Este é o primeiro contraste. Há outro, Jesus veio do Pai e volta para o Pai. Mesmo sendo de condição divina, ele assume a atitude de empregado e de escravo. Coloca um avental e começa a lavar os pés dos discípulos. Começa a realizar a profecia do Servo de Deus (Is 42,1-9). É a imagem de Deus servidor que contrasta com a imagem do Deus todo-poderoso.

João 13,6-11 – Reação de Pedro
Pedro reage. Não quer aceitar que Jesus lhe lave os pés. Jesus diz que, se Pedro não aceitar que lhe lave os pés, não vai poder ter parte com ele. O que significa isto? É que Pedro tinha dificuldade em aceitar Jesus como Messias Servo que sofre. Pedro queria um Messias  Rei que fosse forte e dominador. Nos outros evangelhos, Pedro recebe a crítica de Jesus: “Vai embora, Satanás” (Mc 8,33). Ele tem que mudar de ideia e aceitar Jesus do jeito que Jesus é, e não um Jesus de acordo com o seu próprio gosto.

João 13, 12-15: Bem aventurança da prática
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus tira o avental, recoloca o manto, senta novamente na cabeceira da mesa e começa a comentar o gesto. Ele pergunta: “Vocês entenderam o que eu fiz?” Parece que não tinham entendido, começando por Pedro. E continua: “Se eu, sendo mestre e senhor, levei os pés de vocês, vocês também devem lavar os pés uns dos outros”. Em outras palavras, quem quer ser o maior deve ser o menor e o servidor de todos. Aqui, nesta prática humilde do servo está a raiz da verdadeira felicidade: “Se vocês compreenderem isto e o praticarem serão felizes!” Diz a  Primeira Carta de João: “Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com ações e em verdade” (1Jo 3,18).

ALARGANDO

A última ceia e o lava-pés no Evangelho de João

Mateus, Marcos e Lucas descrevem como Jesus instituiu a Eucaristia durante a última ceia. João descreve a instituição a Eucaristia. Será que esqueceu ou achou que não era importante? É que João tem a sua maneira de descrever a Ceia Eucarística. Ela está no capítulo 6, onde fala da multiplicação dos pães para o povo (Jo 6,5-15). Está no longo discurso sobre o Pão da Vida (Jo 6,22-71). Está aqui no capítulo 13, onde insiste no serviço amoroso, simbolizado no lava-pés (Jo 13,1-17). Está no capítulo 19, onde descreve a morte de Jesus como cordeiro pascal (Jo 19,31-37).

A ceia narrada no Evangelho de João é bem diferente daquela narrada nos outros evangelhos. Aqui no Quarto Evangelho não se fala em comer o corpo e beber o sangue de Jesus num memorial até que ele venha (1Cor 11,23-26). No Evangelho de João, o pão e o vinho são substituídos pelo gesto de lavar os pés de seus discípulos e discípulas. Gesto de amor e de entrega que precede e conduz à sua glorificação. “Tendo amado os seus, Jesus amou-os até o fim” (Jo 13,1). Este mandamento de serviço e de amor é que purifica qualquer pessoa que queira seguir Jesus (Jo 15,3).

O gesto de lavar os pés não é feito antes da ceia, mas durante a ceia. Jesus não quer fazer um mero gesto de purificação ou de higiene. Durante a ceia ele se levanta, tira o manto, que é um gesto de entrega e de serviço, e ele mesmo derrama a água na bacia para lavar os pés de seus discípulos. Quando chega diante de Pedro, este toma o gesto de Jesus como se fosse de fato um gesto ritual de purificação e não aceita que Jesus lhe lave os pés. Jesus corrige a interpretação de Pedro e dá o sentido verdadeiro. O gesto do lava-pés significa que a verdadeira purificação acontece na entrega e no serviço. Significa também que Jesus é o Messias-Servo, anunciado por Isaías. Por isso, se Pedro não aceitar tal gesto, não poderá estar em comunhão com Jesus. Para Jesus, os que aceitam sua mensagem, suas palavras e seus gestos, estão puros e prontos para o Reino. O que purifica a pessoa não é a observância da Lei, mas sim a prática das palavras de Jesus. Quem for capaz de amar como Jesus amou, receberá o Espírito que é serviço gratuito aos irmãos e irmãs. Este exemplo ele nos deixou. Mas na ceia nem todos estavam puros. O adversário se fazia presente em Judas. Mesmo assim, Jesus lava os pés de Judas antes que ele saia para cumprir sua missão. O amor vence o ódio. 
  
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