sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Viva o hoje


 

 

Paz Inquieta!

            Quando se aproximam a Palavra de Deus e a vida, se aproximam a fé e a vida. O catequista tem que ter consciência disso e fazer que seus catequizandos tenham cada vez mais a possibilidades de tocar a Bíblia e dela saciar da água que brota do seu interior.

 A Bíblia deve ser o livro de cabeceira do catequista, pois nela ele encontra caminhos para a sua prática catequética, não se esquecendo do cotidiano, onde ela deve se manifestar. O saudoso Frei Bernardo Cansi dizia que o catequista deve ter em uma das mãos um jornal e na outra a Palavra de Deus.

            Há que se cuidar da leitura da Bíblia, muito já se caminhou nesse sentido, mas ainda acontecem casos de fundamentalismos que não devem ser mais aceitos na nossa Igreja. Aquele que faz uma leitura fundamentalista acaba destruindo a beleza e a vivacidade da Palavra. Dizer que se necessita também de muito estudo para ler as Sagradas Escrituras é ignorar a sabedoria popular e a interpretação coletiva. Lembro-me de Padre José Luiz Gonzaga do Prado, nosso estimado amigo, nos contando sobre Dona Sebastiana, mesmo sendo analfabeta explicando as escrituras, ela pedia para um alfabetizado ler e ela com sua sabedoria iluminava a comunidade. Como dizia Padre Zé Luiz: “Basta saber bem do que se está falando e ter “malícia” para perceber o que está por trás das palavras, as insinuações, as alusões. O linguajar do povo está cheio disso. Sem sentido duplo não há humor. É preciso uma boa dose de humor para se entender a Bíblia”.

             Devemos lembrar sempre que Bíblia não trás uma resposta pronta, mas aconselha, guia os seus passos. Santo Agostinho disse que a vida é a primeira Palavra de Deus.

      Algumas dicas para o uso da Bíblia na catequese:

1- Ter clara a mensagem que queremos transmitir, a atitude evangélica que queremos despertar.

2- Levar em conta o perfil do catequizando: se é criança, jovem ou adulto, qual sua situação de vida, sua cultura e suas experiências.

3- Técnicas que melhorem a assimilação da mensagem.

4- Vivência concreta.

 

“Tua Palavra é luz no meu caminho”.

 

Luiz Sergio Palhão

Equipe de coordenação catequese setor Alfenas

 

 Salmo do Catequista

 

Senhor, eis-me aqui diante de Ti para te servir.

Tu me chamaste e, apesar da minha relutância em atender, inflamaste meu coração com o fogo do teu Amor. Tu me ungiste como aos profetas e imprimiste em mim o selo que identifica aqueles a quem escolheste.

Sei que não sou pessoa melhor do que outras, mas confio em Ti e me entrego para que faças em mim a obra de tuas mãos. Para que dessa forma eu possa dar testemunho de Ti e da tua presença entre nós.

Senhor, põe em meu coração a compaixão e a misericórdia, para que me aproxime dos meus irmãos com a alma aberta e livre de preconceitos de toda espécie.

Põe na minha mente sabedoria e entendimento para que eu possa perceber tua presença mesmo nos lugares e nos fatos mais improváveis.

Põe na minha boca palavras de paz e de esperança para que eu possa anunciar tua Boa Nova tocando o coração daqueles que me confiares.

Sou pessoa pequenina, Senhor, diante da grandeza do teu chamado.

Grande é o caminho da Catequese, dá-me forças para não desanimar na caminhada.

Grande é o desafio de educar meus irmãos e irmãs na fé, dá-me a coragem para superar todos os obstáculos.

Grande é a missão que a Igreja me confia, dá-me o discernimento necessário para que eu saiba que és Tu que realizas todas as obras e que sou apenas um instrumento em tuas mãos.

Abençoa-me, Senhor; abençoa meu ministério; e abençoa todos aqueles que me forem confiados, para que brote no meio de nós as sementes do teu Reino e floresça a justiça e a paz. Amém.

 

Sugestão de oração inicial

Irmãos e irmãs, a voz de Deus Pai nos comunicou o dom da vida, chamou-nos não só a viver, mas a sermos pessoas. Deu-nos inteligência, amor e liberdade. No Batismo, pronunciou o nosso nome e nos adotou como filhos e filhas, irmãos e irmãs menores de Jesus, seu Filho único.

Vinde Espírito Santo...

 

Música daqui só se leva o amor

 

Leitura Bíblica: 1ª Coríntios 13, 12-13.

 

Reflexão:

1-    O que lhe chamou mais atenção na música e no texto?

2-    Como o amor é tratado nos dois textos?

3-    Qual a mensagem para nós hoje?

 

Creio em Deus, criador de tudo o que é bom,

Que me ama com amor maior que o de pai

E cuida de mim com ternura maior que a de mãe.

Creio em Jesus Cristo, amigo mais chegado que irmão,

Que pagou por mim a grande dívida

E convidou-me para ser-lhe

Companheiro no cálice e no pão, na cruz e na ressurreição.

Creio no Espírito Santo, terno consolador,

Que enxuga dos olhos as lágrimas

E me inspira nos lábios o sorriso.

Creio na comunidade de fé, mutirão de fiéis,

Operários de um novo tempo,

Gestantes do novo céu e da nova terra.

Creio no Reino pleno da vida abundante,

Na ressurreição dos corpos oprimidos,

Na eternidade do amor

E na solidariedade divino-humana. Amém.

 

Oremos:

 

D.: Ó Deus, Fonte de Vida, nos escolhestes como educadores da fé. Nós te agradecemos e pedimos a força do teu Espírito para sermos fiéis a missão que nos confiastes. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!

 

-Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

 

 Para sempre seja louvado!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

 

A catequese pergunta: E a família como vai?

 

“À medida que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé,

torna-se comunidade evangelizadora.” (João Paulo II)

 

Chamada a ser o Santuário da Vida e o lugar privilegiado para experimentar o amor, a

família hoje vive as ameaças da sociedade influenciada pelo consumismo, relativismo, ateísmo, individualismo, utilitarismo, subjetivismo e hedonismo (culto ao prazer).

 

O mundo hoje é plural, mas também fragmentado. As ciências e as tecnologias se

desenvolveram tanto que acabam passando por cima dos princípios da ética e da religião. E quem acaba sofrendo os impactos da sociedade pós-moderna é a família, por vezes mergulhada num horizonte cheio de dramas. As pressões do mundo globalizado são tantas que às vezes a família fica num beco sem saída.

 

Quais as dificuldades que passam as nossas famílias? O que influencia as famílias hoje?

Olhando para a realidade atual, verificamos diversas realidades. Entre elas, vale mencionar:

Falta de uma espiritualidade conjugal mais profunda de diálogo e de comunhão.

Ausência dos pais na educação de seus filhos.

Meios de comunicação assumindo a rédea da educação dos filhos.

Influência da “ditadura do relativismo” gerando uma ética da situação.

O culto ao corpo e a busca do prazer pelo prazer, banalizando a sacralidade do ato

conjugal.

Valores familiares como o amor, fidelidade e respeito sendo relativizados.

Aumento de relacionamentos instáveis. Nas primeiras dificuldades, casais optam por

trocar os parceiros.

Número crescente de divórcios.

Direito à liberdade colocado acima do direito inviolável à vida, incentivando assim a

prática do aborto.

Instauração de uma mentalidade contraceptiva.

 

História da TV

 

O que essa historinha tem a dizer para a catequese e a família? Qual a lição que tiramos?

 

Luzes e esperanças para a família do século XXI

 

Nem tudo são só espinhos e sombras. Temos presente em nossa realidade familiar luzes que

nos dão muitas esperanças:

→Cresceu a consciência da liberdade pessoal e maior atenção à qualidade das relações

interpessoais no matrimônio.

→ A promoção da dignidade da mulher.

→ Maior atenção na educação dos filhos no exercício da paternidade e maternidade

responsável.

→ Maior união da família nas relações de ajuda, nos momentos de necessidade.

→ Descoberta da importância da família e sua missão na Igreja e na sociedade.

 

Tanto a família quanto a catequese tem uma missão em comum: educar para o Amor,

transmitindo valores humanos e cristãos. Diante das ameaças do mundo capitalista, é preciso não perder a esperança e abrir-se ao diálogo, revendo nossos métodos para educar os filhos no lar.

 

 A família deve formar os filhos para a vida, de modo que cada um realize plenamente o seu dever segundo a vocação recebida de Deus. De fato, a família que está aberta aos valores do transcendente, que serve os irmãos na alegria, que realiza com generosa fidelidade os seus deveres e tem consciência da sua participação cotidiana no mistério da Cruz gloriosa de Cristo, torna-se o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada ao Reino de Deus.

 

O Documento da Conferência de Santo Domingo (cf. n. 214) apresenta a identidade e a

missão da família através de quatro aspectos:

a) A missão da família é viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas

chamadas a testemunhar a unidade por toda a vida (valor unitivo).

b) Ser santuário da vida, serva da vida, conservando o direito à vida como a base de todos os direitos humanos (valor procriativo). Nela deve-se transmitir e educar para os valores autenticamente humanos e cristãos.

c) Ser ‘célula primeira e vital da sociedade’. Por natureza e vocação, a família deve ser

promotora do desenvolvimento, protagonista de uma nova cultura que valorize a família.

d) Ser ‘Igreja doméstica’ que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus. Lugar

privilegiado para a “fazer catequese”, aprofundando e dando razões para a fé, na vivência do discipulado de Jesus.

 

A família encontra hoje não poucos obstáculos, sobretudo neste “momento histórico em que ela é vítima de muitas forças que buscam destruí-la ou deformá-la” (Santo Domingo, n. 210). Deste modo, a catequese precisa conhecer algumas pistas de ação para ajudar a família a encontrar a sua missão:

a) Conhecer as diversas situações e a realidade de cada catequizando.

b) Conscientizar as famílias para participação mais ativa na Igreja, como incentivo e

testemunho para os seus filhos que estão caminhando na catequese.

c) Por meio de ações conjuntas com a Pastoral Familiar, oferecer esclarecimentos e

possibilidades de regularização às famílias em situações irregulares (especialmente aos

amasiados que não têm impedimentos para casar na Igreja).

d) Não discriminar as famílias e crianças e não abandoná-las por motivo algum. Acolher a todos, sem distinção, independentemente de suas opções.

e) Oferecer às famílias em dificuldades apoio e orientação, no diálogo.

f) Aos casais separados, prestar apoio e acolhida, com especial atenção aos seus filhos.

g) Distinguir entre o mal e a pessoa. No dizer do papa Paulo VI: “Jesus foi intransigente para com o mal, porém misericordioso para com as pessoas”.

h) Distinguir com perspicácia as famílias que procuram a Igreja não muito bem intencionada, querendo dar um jeitinho para receber os sacramentos sem a devida preparação.

i) As situações delicadas que aparecem na catequese, levar ao conhecimento do padre para descobrirem juntos as possíveis soluções. Depois de averiguar os casos, dar os

encaminhamentos necessários, baseando sempre na verdade e na caridade.

 

A família continua sendo muito importante para os planos de Deus. Ela é uma instituição divina, sonhada por Deus e fruto da sua benigna vontade. Ela não pode ficar desacreditada. Ela é dom de Deus, por isso merece todo o nosso empenho e todo o nosso amor. Se a catequese não zela pela família, como vai cuidar pastoralmente dos seus catequizandos? E se as famílias não se interessam pela catequese, que futuro poderão dar a seus filhos no caminho da justiça e da fé?

 

A parábola familiar do Bom Samaritano

Conta-se que uma família ia descendo de Jerusalém a Jericó, caminhando pelas estradas da história. De repente, uma quadrilha de inimigos, chamada de “tempos modernos”, a atacou no caminho e foi roubando todos os seus bens, a saber: a fé, a unidade, a fecundidade, a indissolubilidade, o diálogo familiar e, por último, a santidade. Em seguida, fugiram travestidos com novas roupas de modernidade. Aconteceu que, pela estrada da história, passou um psicólogo, representante de uma das escolas psicológicas, viu a família caída no chão e sentenciou? ‘Não disse? A família não quer aceitar a teoria da liberdade sexual total e é uma grande desmancha-prazer dos filhos e castradora dos seus desejos de felicidade. Então só poderia acabar assim, rejeitada. E seguiu adiante.

Em seguida, passou um sociólogo, que também representava certas teorias modernas, viu a família prostrada e também a acusou: ‘Faz tempo que, atrás de minhas pesquisas, eu achava que a família fosse uma instituição falida e que deveria acabar. Precisamos viver a era do amar livre’. Dito isto, passou adiante. Veio depois a Catequese, a Boa Samaritana, viu a família machucada, perdendo muito sangue e recordando as atitudes de Jesus, teve pena e compaixão, inclinou-se sobre ela, tomou-a em seus braços e levou-a para seu a hospedaria que se chama Comunidade Cristã, a fim de que fosse tratada e recuperada.

(Extraída da Revista de Catequese, p. 48, n. 121, Janeiro/2008, com adaptações).

 

O que essa parábola tem a nos ensinar? Quais os ensinamentos para a catequese?

 

A família é o berço da fé: Dois fatos que nos fazem pensar

 

Há um provérbio chinês que dizia: “Quem embala um berço, está embalando o futuro do mundo”. Quem cultiva a educação cristã de uma criança, desde o seu berço, desde sua infância, está promovendo a formação dos homens e mulheres que irão renovar o mundo. Havia uma família de cristãos que vivia na Polônia e procurava educar seus dois filhos na fé. Numa situação, a mãe morreu prematuramente e o pai ficou com a responsabilidade de criar e educar na fé os filhos, sobretudo o mais novo, após a morte do filho mais velho. O berço da educação religiosa para o filho foi decisivo, pois mais tarde este menino se tornou papa da Igreja, João Paulo II. Graças às orientações que embalaram o berço da sua fé, ele pode mais tarde embalar o mundo inteiro com palavras de paz.

 

Na Albânia, dominada por um consumismo cruel, um lar corajoso conservou a fé e embalou de modo cristão o berço da pequenina Agnes. Sua educação religiosa foi tão bela, que esta menina, agora já adulta, foi para um grande país, a Índia e revelou pelo exemplo e testemunho, a beleza da fé cristã e do seguimento de Jesus, como caminho verdade e vida. Seu trabalho foi respeitado no mundo inteiro e o seu nome ficou gravado como o grande nome da solidariedade cristã, Madre Tereza de Calcutá. Ela catequizou o mundo inteiro para a prática da caridade e para a promoção da paz no mundo.

A família perde em qualidade quando não conta com a valiosa ajuda da catequese na

educação da fé de crianças, jovens e adultos. E a catequese não pode realizar um trabalho fecundo se não contar com o apoio e a atenção da família. Hoje, verifica-se na realidade pastoral da Igreja que é praticamente impossível imaginar uma catequese com jovens, adolescentes e crianças sem um trabalho específico com os pais. Para ampliar a presença da catequese nas famílias, é preciso, então, envolver a família através de reuniões, celebrações e confraternizações, visitas às famílias, encontros nas casas dos catequizandos e outras iniciativas que possam colaborar no cultivo de valores e da responsabilidade da família na iniciação cristã de seus filhos.

 

Muitos acham que a catequese é só para os sacramentos. Esta visão é muito reducionista. Também não se pode divorciar a catequese dos sacramentos. A catequese está profundamente ligada à ação litúrgica e sacramental da Igreja. Contudo, a celebração dos sacramentos sem uma preparação séria (Catequese), não tem sentido algum. Sem a catequese os sacramentos se reduzem a um mero ritualismo, o qual não será capaz de nos transformar, dar vida e felicidade e fazer de nós autênticos cristãos.

 

Mística para a relação Catequese-Família

 

Para cultivar a mística da catequese a serviço da família é preciso:

Que a família esteja no coração da catequese e que a catequese esteja no coração da família.

Acreditar que a salvação do mundo passa pela família (João Paulo II). É a família que

salvará a família. Parafraseando o antigo princípio: “Fora da família não há salvação”.

Como bons samaritanos, curar as muitas chagas que o mundo moderno causou no seio da família, tais como: infidelidades, separações, aborto, perda da fé, etc.

Devolver à família a missão de ser berço da vida e da fé.

Recordar aos pais que a catequese começa em casa e que eles são os primeiros e

permanentes catequistas de seus filhos.

Que a família se sinta uma Igreja Doméstica, onde se cultivam a leitura da Bíblia e a

meditação por meio dos Círculos Bíblicos, o terço e outras devoções.

Que os catequistas continuem a missão apostólica, visitando os lares e levando a alegria da mensagem de fé.

Que os pais estejam acompanhando o processo de educação e amadurecimento da fé de seus filhos.

Cultivar a oração da família em família: “família que reza unida, permanece unida”.

Participar da Eucaristia aos domingos, para celebrar com a família eclesial o mistério pascal do Senhor.

Valorizar as datas festivas: Semana da Família, Natal, Páscoa, Dia das mães e dos pais.

Incentivar as famílias cristãs para a formação de pequenos grupos e comunidades. Pois não existe catequese sem comunidade. Esta é a fonte, lugar e meta de toda a catequese. (cf. DGC 158).

 

Catequese e Encontro com os Pais

 

O encontro com os pais é uma rica oportunidade para interagir família e catequese. Os

encontros precisam ser melhor aproveitados. Muitos pais não gostam de participar das “reuniões” porque dizem que é só bronca. Outros lugares só fazem reunião para informar às famílias preços de camiseta, lembrancinha, vela, etc.

Os encontros com os pais na Catequese precisam ser oportunidade para catequizar a família, incentivando para a missão de oferecer condições para o desenvolvimento da fé dos catequizandos.

 

Para que os pais tenham consciência da sua missão, é importante que a catequese dê a

devida atenção aos encontros com as famílias e oferecendo outros espaços para que pais e filhos estejam dentro do itinerário catequético. Assim como os encontros com catequizandos, os encontros com os pais precisam ser planejados, a fim de despertar a motivação dos pais e apontar caminhos novos para a educação da fé na família.

 

Os pais têm necessidade de ouvir dos catequistas coisas tão simples, mas muito importantes, tais como: o que é catequese? Qual a sua finalidade? Qual a missão do catequista?

Muitos pais passaram pela catequese, mas ficaram esclarecidos sobre as responsabilidades na educação da fé de seus filhos.

 

Os Dez mandamentos da família para a Catequese:

1. Não fecheis o coração! Não vos bastais a vós próprios na educação da fé, mesmo que sejais os primeiros catequistas dos vossos filhos. Os catequistas são vossos colaboradores na educação da fé, mas não substitutos.

 

2. Amai a Catequese! A Catequese não é um "ensino" avulso e desorganizado. É processo de educação da fé, feita de modo ordenado e sistemático. É itinerário para amadurecer na vida cristã e caminho para o discipulado. Velai pela assiduidade dos vossos filhos e pelo seu acompanhamento, num estreito diálogo com os catequistas e com a comunidade de fé.

 

3. Não exijais dos vossos filhos o que não sois capazes de fazer. Não exijais dos vossos filhos, o que não sois capazes de dar. Exigir do outro o que não se tem pra oferecer é negar a si mesmo enquanto sujeito de fé.

4. Não queira transformar a catequese em curso para que vossos filhos "saibam muitas coisas"! Mas alegrai-vos sempre, ao verificardes que eles saboreiam a alegria de serem cristãos, e vão descobrindo, com outros cristãos, a pessoa de Jesus, o Amigo por excelência, que convida a seguir os seus passos no anúncio/testemunho da sua Palavra.

 

5. Demonstrem amor e cuidado pela família! A primeira forma de catequese acontece sem palavras e sermões, no respeito à dignidade de cada membro da família. O amor exige cuidado, como diz o poeta: “Quem ama cuida”.

 

6. Vivei a comunhão na família e na Igreja! Não sois uma ilha nem uma ostra. Sem diálogo não há espaço para a fé se desenvolver. Sem a sociedade não podereis progredir e sem a Igreja não podereis iluminar o mundo.

 

7. Sede discípulos e não expectadores! Não espereis que a Catequese faça de vós e vossos filhos bons alunos ou expectadores. Ao contrário, procurai que ela vos ajude a formar discípulos de Jesus, que O seguem, em comunidade.

 

8. Saiba testemunhar a fé na participação da comunidade e no sacramento da Eucaristia. Procurai pensar e viver de acordo com os valores do Evangelho. Sabeis bem que o testemunho é a primeira forma de evangelização. Deste modo, os filhos aceitarão melhor a proposta dos vossos ideais e valores.

 

9. Procurem aprofundar a fé e ter um gosto pelo conhecimentos das coisas de Deus! Como diz o célebre ditado bíblico: “Um cego não pode guiar outro cego”. Quem não é esclarecido na fé não pode orientar os outros a viver o compromisso cristão. Nem tem o direito de manipular a fé segundo a sua ignorância. Também não cedais à tentação de achar que se pode "mandar" os filhos à Catequese, para vos verdes livres deles ou para fugirdes das vossas responsabilidades.

 

10. Orai e celebrai a vida em família! Rezar e celebrar com toda a família, de modo a que a vossa fé seja vivida em comum na pequena Igreja que é a família, se exprima na grande família que é a Igreja e transforme a diversificada família humana que integra a sociedade.

terça-feira, 4 de maio de 2021

UMA ANÁLISE DA MÚSICA: "DAQUI SÓ SE LEVA O AMOR", DO COMPOSITOR ROGÉRIO FLAUSINO, CANTADA POR JOTA QUEST

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 07 de março de 2018

 

INTRODUÇÃO 

 

Ao deparar-me com essa composição musical, encantei-me com as frases tão bem colocadas pelo compositor Rogério Flausino. Pois, esta música trás uma beleza fascinante em sua letra e também muito bela a sua melodia. Esta bela composição nos mostra de modo bastante claro um tema importantíssimo que é o amor. Ponto central para a nossa vivência social e humana. A Sagrada Escritura vem nos mostrar em quase todos os seus livros a grande importância do amor.

 

Todos os santos da cristandade viveram de modo intenso o amor e, muitos deles deixaram para nós belos tratados sobre este tema. O primeiro pensamento que me veio a mente ao escutar esta linda música, foi aquele da carta do grande evangelista São João, o Apóstolo do amor (1ª e 2ª Carta de São João), que em suas cartas as quais são consideradas um verdadeiro tratado sobre o amor, nos dá um panorama deste tema. Nelas, vemos o evangelista tratar claramente, com uma inspiração do Espírito Santo o assunto do amor. Também lembrei-me de um outro importante místico o grande São João da Cruz (1542-1591), que trata do mesmo tema com uma beleza incomparável, em seus escritos espirituais, bem como outros santos e santas do cristianismo.

 

O que me chamou atenção de imediato nesta música foi o seu título: Daqui só se leva o amor. Esta é uma frase central do programa espiritual do grande místico São João da Cruz. Dizia ele: “No ocaso da vida, o que conta é o amor”. Ou seja, no final da nossa existência terrestre, ao prestarmos contas a Deus, das nossas ações, se não tivermos praticado a caridade/amor, o nosso julgamento será bastante severo. As cartas de São João nos mostram isso com grande clareza. Lembremo-nos bem que o amor ao qual os santos se referem deve ser em atos concretos. Santo Antônio de Pádua (1195-1231) dizia em seus sermões: “Calem as palavras e falem as obras”. Queria ele dizer, que, as palavras passam e as obras permanecem, por isso devemos praticar com amor, obras concretas para o nosso próximo.

 

Nos dias atuais o conceito de música boa ou ruim é bastante relativo. Muitas vezes ouço pessoas dizerem não gosto dessa música ou daquela, etc. cada um tem sua história. Eu, particularmente, gosto de quase todos os estilos de música. Porém, a composição clássica me fascina. Sempre digo aos meus irmãos quando converso com eles sobre música, que a composição musical para mim é divina. A música cura. Na Idade Média a música já possuía esta finalidade. Vemos a grande Abadessa Beneditina Santa Hildegard von Bingen (1098-1179) tratando certas doenças com música. Ela acreditava que certas doenças estavam relacionadas a alma. Por isso, o paciente ficava curado ao ouvirem belas notas musicais.

 

Lembro aos leitores que esta reflexão não esgota esta composição musical, pois, cada um tem sua maneira de refletir. Portanto, esta é a minha parcela de reflexão aos amantes da música.

 

Por isso, desejei fazer uma pequena análise dessa letra tão bem escolhida pelo compositor. Meus Parabéns ao compositor Flausino e ao artista Jota Quest!

 

 Boa leitura!

 

Análise Musical

 

Título da música

Daqui só se leva o Amor

O que importa na nossa vida é o amor. No nosso julgamento, quando estivermos diante do todo-poderoso, o que contará neste grande momento é o amor praticado ao póximo e nada mais. Dizia São João da Cruz: “No ocaso da vida, o que conta é o amor”.

 

Viver

“Tudo o que a vida tem pra te dar

Muitos perdem tempo em coisas que não tem muito valor e assim não vive os mometos que a vida nos oferece deixando com isso escapar os momentos únicos a ser vividos com intensidade. Não percam tempo com coisas que não constroi uma existência feliz! Sejamos muito atentos às chances que a vida nos apresenta. Assim, poderemos viver com retidão e alegria tudo o que a vida tem para nos oferecer.

 

Saber, saber

Em qualquer segundo tudo pode mudar

Isso é bem certo, que, em qualquer segundo tudo pode mudar para melhor ou para o pior. Portanto, cada um de nós devemos está muito atententos a esses segundos, pois são eles muito preciosos na nossa vida. Tenhamos cuidado! Uma fração de tempo mal vivida pode desestrutura uma vida e mudar uma história.

 

Fazer

Sem esperar nada em troca

Aqui está um grande problema social. Há pessoas que fazem algo de bom para outra no intuito de receber algo em troca. Isso é terrível! Por esta razão, às vezes, elas arrependem-se do ato bom que praticou a outra pessoa. O meu superior Dom Arquiabade Emanuel d’Able, O.S.B, sempre nos diz: “Nunca devemos nos arrepender do bem que praticamos. Devemos sim nos arrepender do mal praticado e nunca do bem”. Aqueles bens que não são reconhecidos são, justamente desses, que, ouvimos muitos dizerem: “Eu me arrependi de ter feito isso a fulano…”. Certamente essa pessoa esperava algo da outra parte. Nunca devemos dizer tal coisa, porque o bem que é praticado faz o nosso mundo mais humano e fraterno e o bom Deus estará sempre atento a nos socorrer quando o invocarmos. Portanto, quando fizeres algo de bom para alguém, não espere nada em troca. Faça por amor e você se sentirá feliz.

 

Correr

Sem se desviar da rota

Muitos correm, porém, às vezes, eles não sabem para onde estão indo ou que direção devem tomar. Desviam-se da rota que foi tomada no início da prova. Com isso, não possuem uma rota, um foco, um lugar certo de chegada. Ficam perdidos titubeando no caminho. Daí a atenção que devemos ter ao tomar uma rota e nunca nos desviarmos dela. Ter uma rota segura é de suma importância para a vida de todo ser humano. Portanto, tome uma rota certa e siga em frente sem dela desviar-se. Assim, viverás bem e com determinação. O homem determinado vive bem e consegue quase tudo o que deseja.

 

Acreditar no sorriso

E não se dar por vencido

Devemos acreditar nos nossos ideais. A felicidade se baseia nisto. A felicidade é composta desses momentos de certezas e convicções que temos de algo e daquilo que fazemos de bom. Quando acreditamos nesses sorrisos, então, vem o momento magno de alegria pondo em nossos lábios e nos lábios dos que nos arrodeiam a alegria da vida e, assim, não nos damos por vencidos mesmo nas horas de dificuldades, porque sabemos que as dificuldades está presente na vida dos seres humanos, mesmo que não as queiramos. Acreditemos! Assim, não seremos vencidos pelos males do mundo e suas dificuldades. Avante!

 

Querer, querer

Mudar o mundo ao seu redor

Aqui está um ponto central da mudança do mundo, que é mudar ao nosso redor e não desejar que esta mudança venha de longe ou mesmo de outra pessoa. Mude você primeiro, que aqueles que estiverem a sua volta também mudarão. Se todos pensassem dessa maneira viveríamos em paz uns com os outros. E assim, não haveria tanta corrupção, mortes, escravidão, descaso com a pessoa humana, etc. Percebo que não devemos esperar a mudança dos outros. A mudança deve começar por nós mesmo. Mudança interior.  

 

Saber, saber

Que mudar por dentro pode ser o melhor

Um certo dia Jesu disse aos Fariseus: “Ouvi e entendei! Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mais o que sai da boca, isso sim o torna impuro” (Mt 15, 10-11). Pelo que pude constatar, muitos pensam que o homem torna-se mal e impuro por causa das coisas que o rodeia. Não é assim! Jesus, nesta passagem, nos responde de maneira impressionante. A mudança deve ser de dentro de nós mesmos e não devemos ficar esperando a mudança do mundo sem um compromisso de nossa parte. Uma mudança intrior é preciso e do mais profundo do nosso ser. Ouçamos mais uma vez a Jesus: “Não entendeis que tudo o que entra pela boca vai para o ventre e daí para a fossa? Mas o que sai da boca procede do coração e é isto que torna o homem impuro. Com efeito, é do coração que procedem más intenções, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações” (Mt 15, 17-19). Daí a beleza dessa frase musical: “Saber, que mudar por dentro pode ser o melhor”. E digo com toda a certeza: É o melhor.

 

Fazer

Sem esperar nada em troca

(Já foi comentado acima)

 

Vencer

É recomeçar

Quando o sol chegar

Quando o céu se abrir

Saiba que estarei aqui

Aqui posso ver a alegria da conquista muitas vezes tão dolorida. Vencemos muitas vezes, mas, sempre haverá um recomeço porque não podemos cruzar os nossos braços na vitória e, sim, seguir enfrente em outras batalhas que virão sem dúvida. O recomeço faz-se necessário em nossa vida enquanto vivermos aqui neste mundo. Alegria plena só quando estivermos na presença do bom Deus. Enquanto vivermos neste mundo, veremos chegar o sol e o céu se abrir, isto é, as alegrias e, sabemos também que não estaremos sozinhos, mas, com outros irmãos que estão e estarão sempre ao nosso lado.

 

Vamos amar no presente

Vamos cuidar mais da gente

Vamos pensar diferente, porque

Daqui só se leva o amor” (bis)

Pensemos sim no passado, mas não fiquemos presos nele. Façamos planos para o futuro, no entanto, não nos preocupemos demasiado com ele. Tudo ao seu tempo! Vivamos o presente porque o passado se faz do presente; bem como o futuro depende do tempo presente. Portanto, vivamos intensamente o momento presente. Amemos, nos doemos, nos alegremos, pois passados estes momentos, eles não mais retornarão. Isso é cuidar mais da gente. Dessa maneira, cuidaremos também dos nossos semelhantes. E finalizo dizendo com o compositor e com os santos citados acima: Daqui só se leva o amor”. 

 

 

REFERÊNCIAS

Artista: Jota Quest

Álbum: Pancadélico

Data de lançamento: 2015

Gênero: Pop

Compositor: Rogério Flausino

© Sony/ATV Music Publishing LLC

 


sábado, 25 de abril de 2020

A mistagogia na ação evangelizadora da catequese – Neuza Silveira de Souza (Catequista)

É na vida em comunidade, realizando a prática dos costumes evangélicos que se vive a conversão à fé cristã

A mistagogia deve estar sempre ligada à revelação e percorrer o caminho da Igreja na prática e na experiência, permitindo ao fiel aproximar cada vez mais do mistério divino, um encontro definitivo de toda a criação em Deus. O teólogo K. Hahner, em sintonia com a experiência da Igreja primitiva, nos afirma que a mistagogia deve estar presente em todo o processo de evangelização. É ela que orienta para que a evangelização não se detenha apenas na doutrinação, no ensino que parece vir de fora, daquele que fala e os outros só escutam. É necessário criar relações entre o pregador e o ouvinte, possibilitar diálogos.
Por meio da mistagogia, tem-se a compreensão da ação evangelizadora, pois é ela que permite vislumbrar o mistério da fé, através de experiências pessoais vividas na comunidade, partilhas realizadas, meditação da Palavra, oração e diálogo com Deus.
A vivência na comunidade
A convivência com membros e grupos da comunidade é fator predominante para a vida do iniciado que quer continuar fazendo a experiência mistagógica. É na vida de comunidade, realizando a prática dos costumes evangélicos que se vive a conversão à fé cristã, pratica a educação à oração, (lembrando sempre que a boca fala daquilo que o coração está cheio, conforme Mt 13,34), faz experiências penitenciais, torna a caridade atuante para com o próximo, e assim, dá testemunho cristão. Tudo isso acontece quando o catequista, ao realizar sua ação catequética, não se esquece de que o centro da experiência é: Jesus cristo, o filho de Deus que se encarnou e deu a sua vida por nós.
Falar de mistagogia é falar da vida da comunidade eclesial, em sua dimensão espiritual, litúrgica, pastoral, contemplativa e escatológica. Assim, o catequista, ao trabalhar a Iniciação junto aos seus catequizandos ou catecúmenos, não está apenas ajudando-os a adquirir um conhecimento, mas mergulhar numa vivência especial, que faz a pessoa passar a ser (não apenas saber) algo que atinge todos os aspectos de sua vida. É preciso que o conhecimento que adquire se transforme em experiência de fé que leve a um agir coerente. Sem uma ação bem fundamentada nos critérios do agir do Cristo, a fé se torna estéril.
A busca constante de tornar a fé mais coerente com a vida no dia a dia, e nas diferentes dimensões, nos remetem também à liturgia. Faz-se necessário que os gestos litúrgicos conduzem para um compromisso de caridade e para uma contínua conversão. A liturgia pode oferecer muito mais do que pedimos a ela. Nós encontramos mais do que procuramos. Hoje o ser humano não pode ser mais o destinatário passivo de nossas liturgias, mas a matéria com que elas são feitas. Uma liturgia em saída, para uma igreja em saída. Uma liturgia que leva o ser humano à continuação do Evangelho.
Na ação catequética com inspiração catecumenal, buscando orientações no RICA, Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, nele encontramos no n. 48 uma função importante de atuação litúrgica dos catequistas como parte ativa nos ritos, para o progresso dos catecúmenos e ou catequizandos e o desenvolvimento da comunidade.
Segundo o RICA os catequistas tem forte atuação litúrgica no caminho catecumenal:
• Segundo os n. 106-108, os catequistas podem presidir as celebrações da Palavra de Deus.
• Quando estes são presididos pelos ministros ordenados, os catequistas terão sempre que possível parte ativa nos ritos (RICA 48).
• Fazem orações, pedindo pelos catecúmenos e ou catequizandos e invocam as bênçãos de Deus sobre eles. Conforme ainda este ritual, com aprovação do Bispo, realizam os exorcismos (RICA 44 e 109).
Embora a dimensão litúrgica tenha muito importância, não se pode esquecer que o catequista deve dar testemunho de todas as dimensões da vida pessoal e eclesial.
Fonte: Página da arquidiocese de Belo Horizonte.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Poetizando


Papa do Amor
Papa reza numa praça vazia. "Estamos todos no mesmo barco, ninguém ...
Um homem de branco vai só
Caminha lento e manquitolando
Chuva caindo na praça me dá dó
O mundo aquela cena assistindo.

Francisco ora e com amor implora
Fiquem firmes, pois tudo vai passar
Jesus está na proa, vamos mar afora
Ele está aqui, nossa lágrima a enxugar.

Igual ao pobre de Assis, que anos antes
Em São Damião o crucifixo contemplou
Nosso Francisco olhou vários instantes
A cruz, o crucificado e por todos rezou.

Naquela noite fria teu coração aquecia
Todos que precisavam para alma o calor
Não estavas sozinho, pois naquele dia
Estava o mundo e Jesus, Nosso Senhor.

Papa do amor, és modelo para nós
Ensina-nos ter fé, amor e esperança
Nesse tempo difícil não nos deixa sós,
Aponta Jesus, com Ele volta confiança.
Luiz Sergio Palhão