terça-feira, 21 de abril de 2015

Missiologia

Estamos vivendo o Tempo das Santas Missões Populares, em comemoração aos 100 anos da nossa Diocese de Guaxupé, em Minas Gerais. Abaixo um texto do Padre Luis Mosconi:

MISSÕES POPULARES - Luis Mosconi e Firmino Spiegel

1. RESUMO E OBJETIVO

Resumo

No Brasil há várias experiências de Missões Populares. Essa aula conta uma delas e, ao mesmo tempo, é um guia que conduz à realização de novas experiências semelhantes. Através de um breve histórico e da caracterização como “tempo especial”, que faz descobrir o “tempo normal” da missão de cada dia, a aula procura aprofundar os objetivos das Missões Populares e mostrar a sua metodologia. As Missões Populares despertam para o sonho e a utopia da Missão de Deus no meio de nós. Algumas perguntas pertinentes procuram aprofundar os conteúdos e envolver os alunos e as alunas.

Objetivo

O objetivo desta aula é situar a proposta das Missões Populares no contexto amplo da sociedade e das pastorais como um instrumento de inspiração espiritual, de revigoramento pastoral através do eixo permanente e prioritário que é a “missão”, e de transformação social. O participante desta aula deve perceber a beleza da proposta e ter a possibilidade de encaminhar a própria base pastoral para, quem
sabe um dia, realizar essa proposta.

2. BREVE HISTÓRICO

Tudo começou em 1990, no Estado do Pará, entre alguns agentes pastorais e lideranças das CEBs. Constatávamos, com satisfação, muitos aspectos positivos; ao mesmo tempo percebíamos que as pastorais, em geral, apesar de iniciativas generosas, não conseguiam sintonizar com as aspirações das massas. Muitos católicos viviam afastados de suas comunidades (um problema que continua até
hoje). Víamos que as causas disso não estavam somente no povo, mas também na maneira de fazer pastoral; sentia-se a necessidade de buscar caminhos novos. De repente, alguém lançou uma pergunta: E por que não fazer Santas Missões? Sentia-se a necessidade de que os missionários viessem do meio do povo; que as Santas Missões fossem mais existenciais, mais inculturadas, mais abertas aos problemas humanos e sociais; e também que entre os objetivos não faltassem o cultivo do seguimento a Jesus Cristo, a valorização e a defesa da vida. Com as Missões Populares pensávamos em intensificar a caminhada das comunidades, fazendo das paróquias, onde elas iriam acontecer, uma rede de pequenas comunidades eclesiais.
Nesse sentido, a primeira experiência realizou-se em 1991, numa paróquia do sul do Pará, Xinguara – na época, uma região marcada pela violência do latifúndio. Foi uma experiência inesquecível. As pessoas mais envolvidas, cerca de duzentos missionários, entre os locais e os que tinham vindo de outras paróquias para ajudar nos dias de maior pique, queriam continuar. Continuamos e nunca mais paramos. Ao longo desses anos foram preparados mais de 100 mil missionários - jovens, adultos, idosos - das Santas Missões Populares. Assistimos o nascimento de um movimento missionário.

3. UM TEMPO ESPECIAL

As Missões Populares não são um movimento pastoral à parte e, sim, um serviço à Pastoral. Elas levam em conta as pessoas, a realidade pastoral do lugar e as grandes opções da Igreja na América Latina (Medellín, Puebla, Santo Domingo).
Por que as Missões Populares são um tempo especial? Pela intensidade da proposta e por uma finalidade pedagógica. O normal da nossa vida é o cotidiano, o dia-a-dia. As Missões Populares querem ser um serviço à cotidianidade da vida, relembrando e atualizando rumos, valores, atitudes, posturas, opções inegociáveis. Nossa vida precisa, de vez em quando, de um tempo especial, para acordar, para sacudir; é uma necessidade antropológica. De fato, quase sem perceber, caímos na rotina, corremos o perigo de viver uma vida repetitiva, rasteira, acomodada, arrastada, sem sonhos.
O mesmo perigo acontece também nos trabalhos pastorais. É importante perceber avanços, impasses, recuos, para agir eficazmente nelas através das Santas Missões Populares [fazer um trabalho de grupo ou cochicho para levantar as atitudes e os elementos que bloqueiam uma pastoral missionária profética no dia-a-dia].
As Missões Populares querem marcar presença significativa nessas situações pastorais. Situações das quais elas podem também se tornar vítimas. Isso depende muito do nível de consciência das equipes pastorais que conduzem o processo.

4. OBJETIVOS

Os objetivos das Missões Populares relacionados a seguir foram se firmando aos poucos, com a contribuição de muitos missionários e missionárias:

a) Ajudar as pessoas a dar um sentido autêntico à própria vida, no aqui e no agora. Ser sujeito histórico é o maior desafio para qualquer pessoa, de qualquer raça, crença, cultura, época e lugar.

b) Vivenciar a espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo e do seu Evangelho, como caminho seguro para uma autêntica existência humana e para construir uma sociedade justa, fraterna e solidária.

c) Convidar e envolver o maior número de pessoas no grande mutirão em defesa da vida e da cidadania para todos.

d) Fortalecer, reinventar, reproduzir a caminhada das CEBs (pequenas comunidades eclesiais), dando a ela maior qualidade.

e) Aprender a viver a comunhão no pluralismo dentro da nossa Igreja, como também em relação à sociedade e às outras Igrejas.

f) Valorizar, vivenciar, purificar, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, as culturas, a religião popular e a história vivida, e muitas vezes sofrida, do povo.

g) Despertar nas pessoas o gosto pela missão, pelo conhecimento do outro, do diferente, como algo que enriquece.

5. METODOLOGIA

A metodologia está a serviço dos objetivos, é iluminada por eles e é marcada pelas situações concretas. Nas Santas Missões Populares a metodologia deve dispensar uma atenção especial aos seguintes pontos:

5.1. Lugar e destinatários

As Missões Populares devem atingir toda a área da paróquia, tanto o interior como a cidade, onde querem provocar uma mexida significativa e ajudar a fazer da paróquia uma rede de pequenas comunidades eclesiais.
As Missões Populares são uma proposta da Igreja Católica, mas estão abertas a todas as pessoas que moram no território onde elas acontecem. Sem fanatismo, sem concorrência, sem ingenuidade. As pessoas que participam como agentes das Missões Populares, gostam do povo, amam as pessoas, são ecumênicas, pois colocam em primeiro lugar a vida com seus problemas, alegrias e desafios; e a vida
é ecumênica. Nas Missões Populares se desperta uma atenção especial aos católicos
afastados e aos preferidos de Jesus Cristo: os pobres, os pequenos, os marginalizados, os sociocultural e economicamente excluídos, os sem-voz e sem vez. A opção pelos pobres é uma questão de fé que faz parte intrínseca do seguimento a Jesus Cristo.

5.2. Preparação e realização: as diferentes etapas

A duração das Missões Populares está ligada aos objetivos e à situação do lugar onde elas acontecem. Geralmente há bastante falhas a esse respeito: muita correria, planejamento superficial, atividades apressadas. Existe o perigo da massificação. Após anos de experiência, achamos que a duração de cada Missão Popular deve ser de dois anos, com as seguintes etapas:

a) Etapa do namoro. Quando o pároco ou, melhor ainda, a equipe pastoral paroquial pede ajuda à equipe especializada para realizar as Missões Populares. Sugerimos primeiro um conhecimento profundo e detalhado da proposta nos seus conteúdos e metodologia. Geralmente isso acontece através do estudo do livro das Santas Missões Populares, publicado por nós e que funciona como um manual. Ao mesmo tempo, é importante que se fale sobre o assunto nas celebrações, nas reuniões de grupos, nas pastorais e comunidades; que se reze, para chegar a uma decisão consciente, assumida, participativa, tomada possivelmente numa assembléia extraordinária da paróquia. Essa etapa leva cerca de três meses.

b) Etapa do noivado. Como o noivado é o tempo bonito da preparação intensa ao
casamento, assim também é esta etapa das Missões Populares. Forma-se uma
coordenação paroquial com a tarefa de articular e acompanhar todo o processo.
Para evitar trabalhos paralelos, sugere-se que a coordenação seja assumida pelo
mesmo conselho pastoral paroquial ampliado. A coordenação enviará uma carta
circular a todos os grupos, pastorais, comunidades, movimentos, dando a boa
notícia. A partir desse momento, a Missão Popular torna-se o eixo de toda pastoral.
A paróquia deve evitar, nesse período, trabalhos paralelos, pois são altamente
prejudiciais.
Intensifica-se a seleção dos missionários e das missionárias, em cada setor. Isso
deve ser feito de uma maneira clara, cativante, consciente, responsável, aberta, ao
estilo de Jesus, que deu chance até a pessoas “suspeitas” e inexperientes, como os
apóstolos, na maioria pescadores; Judas, os simpatizantes do movimento zelota; as
mulheres como Maria Madalena e a samaritana. Organizam-se várias equipes de serviço para preparar o primeiro retiro dos missionários. Essa etapa leva cerca de
três meses.

c) Etapa da pré-missão. É casamento pra valer! E haja paixão! Há um crescendo de
atividades destinadas a acordar e envolver o maior número possível de pessoas nas
propostas das Missões Populares. Essa etapa começa com o primeiro grande retiro
dos missionários. No final do retiro ocorre a Missa de envio dos missionários com a
presença do maior número possível de pessoas de toda a paróquia. Esse período
tem a duração de sete a dez meses, com sugestão de atividades específicas a cada
mês, fruto de experiências comprovadas ao longo desses anos. Em seu decorrer,
haverá outros dois grandes retiros para os missionários locais, pois são eles que
conduzem todo o processo das Santas Missões Populares.
d) Etapa da grande semana missionária. É o momento mais intenso, mais
celebrativo da Missão Popular. É a “etapa do saborear” a beleza do Evangelho
vivido, testemunhado, celebrado. É uma etapa profundamente eclesial, com a
presença de missionários (leigos, padres, religiosas) vindos de outras paróquias e
comunidades e, na medida do possível, do bispo diocesano.
e) Etapa da pós-missão. É a “etapa do aprofundar e articular” todas as forças vivas
que despertaram ao longo das etapas anteriores. Duração: um ano (até o
aniversário da semana missionária). É uma etapa muito importante. É em seu
decorrer que se pode verificar se foi bem captado o espírito da Missão Popular e se
ela foi bem acompanhada.
5.3. Setores missionários
É importante organizar em setores missionários toda a área onde vai acontecer a
Santa Missão Popular, em vista de contatos mais personalizados e do surgimento
de missionários e seu respectivo acompanhamento.
Baseado em experiências anteriores, nas áreas do interior, o setor deve ser
formado por duas a quatro comunidades próximas, para permitir um trabalho em
conjunto. Quando em certos lugares, por causa das distâncias, não é possível
juntar comunidades, buscam-se outras soluções. Nas grandes cidades, para
permitir um trabalho bem personalizado, achamos que cada setor deve atingir uma
área de cerca 3 mil habitantes (nas cidades menores, os setores podem ter menor
número).
A Missão Popular acontece em todos os setores com a mesma programação,
decidida nos grandes retiros dos missionários. Cada um deles costuma ter um
dinamismo próprio, conforme a realidade, o nível de consciência e atuação dos
missionários. Critérios importantes são a fidelidade e criatividade, a comunhão e o
pluralismo. Os responsáveis pelo bom andamento do setor são os missionários que
são seus moradores. Nesse caso, ser responsável significa ter a capacidade de
envolver o maior número possível de pessoas, conduzindo o processo dentro dos
objetivos e da metodologia decididos nos grandes encontros de formação dos
missionários.
5.4. Perfil dos missionários e das missionárias
Optamos por uma presença numerosa, qualificada, participativa de missionários.
Por causa do papel fundamental dos missionários nas Missões Populares, sua
formação e seu acompanhamento são de grande importância. Geralmente,
pastorais, grupos, comunidades, movimentos eclesiais e sociais, mesmo os ditos
“mais avançados”, criam muita dependência entre seus membros. Sente-se falta de
pessoas que sabem assumir, personalizar convicções e opções. Há mais pessoas
tarefeiras do que criativas.
Nas Missões Populares apostamos muito na quantidade e na qualidade dos
missionários. Todas as forças vivas da paróquia, de todas as idades e categorias
sociais, são convidadas a serem missionárias no setor onde moram. Não se trata de
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acabar com isso ou aquilo, mas de viver o período da Missão Popular como um
tempo especial, com forte ardor missionário, saindo de esquemas mais rotineiros.
Os efeitos que irão aparecer, logo ou mais adiante, são muito positivos:
preconceitos são derrubados, barreiras são superadas; grupos e pessoas que se
desconheciam, agora se descobrem, partilham, criam laços, se abraçam,
valorizando dons e diferenças, dentro de um processo de conversão permanente
que envolve a todos. É toda a paróquia em estado de missão. Vai ser uma mexida
muito grande, uma ventania do Espírito Santo, um novo Pentecostes. É um tempo
de formação eclesial, ecumênico, orante e militante.
O convite a ser missionário é dirigido também a pessoas afastadas, através de
contatos personalizados, priorizando opções e estilos de vida, acima de leis e
normas. Ao longo da pré-missão, novos missionários irão surgindo. Os que
começaram primeiro terão a tarefa de acolhê-los e de partilhar com eles o caminho
percorrido até o momento.
Costumamos distinguir os missionários “locais” dos missionários “de fora”. Os locais
são os que moram na paróquia onde está acontecendo a Missão; os de fora são os
que já saborearam essa experiência em suas paróquias/comunidades e que foram
enviados por suas comunidades, sobretudo para ajudar no tempo da grande
semana missionária.
5.5. Presença dos padres
Na nossa Igreja, há muito poder de decisão concentrado nas mãos dos padres. Não
está bem clara a relação entre ministério e diretrizes pastorais. Essas deveriam ser
decididas nas assembléias, enquanto o ministério do pároco deveria ser um serviço
para realizar as diretrizes. Como conseqüência, há muita dependência no trabalho
das pessoas que atuam nas pastorais. Não se trata somente de democratizar o
poder, mas de viver a espiritualidade do discipulado, cada um assumindo tarefas
diferentes, conforme seus dons e valores.
Pelos motivos lembrados acima, as Missões Populares dependem muito do tipo de
presença do pároco. No interior do espírito das Missões Populares, aos párocos se
sugere as seguintes atitudes:
a) Crer no valor da proposta; abraçá-la de corpo e alma, no espírito, no conteúdo e
na metodologia básica.
b) Priorizar a Missão Popular. Ela deve ser o eixo de toda pastoral. Decidir
juntamente com todos os missionários locais (o momento ideal é durante o
primeiro grande retiro) os rumos, os objetivos da Missão. Evitar com firmeza
trabalhos paralelos.
c) Participar intensamente e de forma personalizada de todo o processo.
d) Estar aberto ao novo, aos apelos, às luzes que vão aparecendo. Nunca querer
adaptar o novo aos nossos esquemas.
e) Docilidade interior e atitude de conversão permanente.
f) Uma grande paixão missionária. Ir sempre além, sair da rotina, em busca
permanente, com uma grande atenção às pessoas e aos momentos históricos que
estamos vivendo.
g) Apostar na capacidade dos missionários leigos, dar toda chance e confiança, não
por estratégia, mas movidos pela fé e pelo amor às pessoas.
h) Saber conduzir todo o processo com discernimento, com sabedoria, com coração
de pastor, profeta e conselheiro; valorizando todo o positivo que aparece,
aprendendo com as falhas, apontando sempre caminhos de esperança.
As Santas Missões Populares são uma verdadeira escola de vida para os padres, as
religiosas e as demais lideranças pastorais.
5.6. Crianças e adolescentes missionários
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Quando começamos a caminhada das Missões Populares não pensávamos nas
crianças como missionárias. A partir de 1995, foram elas mesmas que irromperam.
Foram acolhidas com simpatia e empatia; e elas começaram a fazer maravilhas.
Hoje não entendemos mais Missões Populares sem a presença criativa das crianças
e dos adolescentes. Sem eles, que são portadores das boas notícias de Deus e dos
valores do Reino, elas não seriam populares.
Acontecem jornadas de encontros para crianças missionárias, para adolescentes
missionários, a fim de que elas mesmas decidam o tipo de presença que querem
marcar nas Missões Populares. Dá-se espaço a elas nas reuniões dos missionários,
nas decisões, nas celebrações. Criam atividades, tomam iniciativas. Em cada setor
deve haver uma pequena equipe de missionários jovens e adultos liberados para o
trabalho com as crianças e adolescentes. São chamados de acompanhantes, para
não esquecer que são as crianças e adolescentes que conduzem sua presença nas
Santas Missões Populares.
6. SONHOS E DIFICULDADES
6.1. Sonhos
Os sonhos sustentam a caminhada, sobretudo nas encruzilhadas difíceis. Sonhar é
romper as barreiras do medo, da mesquinhez, da incoerência. Sonhar é dar asas ao
mais autêntico que há em nós, às grandes aspirações presentes nos gemidos da
humanidade e dos acontecimentos históricos que estamos vivendo. Sonhar é
preciso, sempre; faz bem, renova; melhor ainda quando sonhamos juntos, em
mutirão.
Há sonhos bonitos presentes nos grandes objetivos das Missões Populares. É difícil
esquematizar sonhos, mesmo assim podemos indicar os mais significativos:
a) As Santas Missões Populares desenvolvem um grande amor, uma paixão pelo
povo, sem massificação ou populismo. O amor sempre personaliza as relações
humanas.
b) As Missões Populares querem ajudar as pessoas a encontrar e dar um sentido
autêntico à vida. Querem ajudar as pessoas a resgatar sua memória histórica, a
serem sujeitos capazes de corajosas opções de vida.
c) As Missões Populares cultivam a espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo
como caminho seguro para uma autêntica existência humana; e a propõem a todos
e todas.
d) As Missões Populares procuram despertar para os valores humanos e
evangélicos da conversão permanente, da reconciliação, da gratuidade de uma vida
solidária, simples e transparente; do silêncio, da escuta, da contemplação.
e) As Missões Populares forjam um sacerdócio missionário, co-responsável, a
serviço de toda a Igreja diocesana. Um presbitério que acredite no protagonismo
dos leigos. A ação pastoral em torno das Santas Missões aposta na caminhada das
pequenas comunidades eclesiais situadas no tempo e no espaço.
f) As Missões Populares colocam, com espírito de diálogo inter-religioso e
ecumênico, a missionariedade da Igreja local no centro de suas atividades
pastorais.
6.2. Dificuldades
Uma dificuldade particular das Missões Populares vem das pastorais, às
vezes,marcadas pela fragmentariedade, superficialidade e ativismos sem rumo
claro. Há mais gestos e ritos religiosos do que mística e espiritualidade; mais
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barulho do que silêncio e contemplação; mais estacionamento do que caminho;
mais medo do que ousadia; mais rostos cansados do que gosto e paixão.
Outra dificuldade são as situações difíceis em que vivem muitas pessoas:
desemprego, perda de referenciais e valores. Vivemos numa sociedade marcada
pela desigualdade, pela violência, pelo medo, pela indiferença. São situações que
ameaçam derrubar sonhos e esperanças. Sente-se falta de personalidades
verdadeiras, de lideranças eclesiais, sociais e políticas capazes de testemunhar,
assumir e conduzir autênticas aspirações humanas. Outra dificuldade é a
superficialidade, a falta de convicções profundas tão necessárias nas horas difíceis
da travessia.
Como assumir dificuldades e falhas, fazendo delas ocasião para purificar e refazer
nossas opções? Perdão, discernimento, esperança, ousadia se fazem necessários.
Sente-se necessidade de as equipes pastorais paroquiais captarem melhor o
espírito e o conteúdo das Missões Populares e de assumi-las com fidelidade e
criatividade.
Apesar das falhas que ocorrem nas Missões Populares, o saldo continua positivo,
porque o projeto das Missões Populares requer a participação de todos.

7. TAREFAS E PERGUNTAS
- Qual é o objetivo mais significativo das Missões Populares?
- As Missões Populares favorecem uma pastoral de conservação ou de
transformação?
- Quem já participou de Missões Populares deve ter a possibilidade de falar dessa
experiência. Como foi a continuidade?
- Quais as dúvidas, quais as certezas que ficam a respeito das Missões Populares?
- Trabalhar com as massas e/ou com pequenos grupos? Como você analisa esta
questão? Há relação?

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL/CNBB (Ed.). Santas Missões
Populares. Projeto Nacional de Evangelização. Queremos ver Jesus, caminho,
verdade e vida. São Paulo: Paulinas e Paulus, 2004.
MOSCONO, Luis. Santas Missões Populares. 10.ª ed. São Paulo: Paulinas, 2004.
VVAA. PRIMEIRO CONGRESSO MISSIONÁRIO NACIONAL. Igreja no Brasil, tua vida
é missão. Memórias. Belo Horizonte: Conselho Missionário Nacional (Comina),
2003.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Lição das abelhas

"As abelhas nos dão um grande exemplo de DESAPEGO.
Após construírem a colmeia, elas abandonam-na.
E não a deixam morta, em ruínas, mas viva e repleta de alimento.
Todo mel que fabricaram além do que necessitavam é deixado. Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás.
Num ato incomum, abandonam tudo o que levaram a vida para construir.
Simplesmente, o soltam sem preocupação se vai para outro.
Deixam o melhor que têm, seja pra quem for – o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou dirigir a doação para alguém de nossa preferência.
Se queremos ser livres, parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar um único desejo: o de nos transformar. Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda.
O sofrimento vem da fixação a algo ou a alguém.
O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que algo melhor para nosso crescimento precisa entrar.
Se não abrirmos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?”
(Autor Desconhecido)

A Menina e o Pássaro Encantado

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
Até que não aguentou mais.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Esta história, eu não a inventei.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
— Tenho de ir — dizia.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Abriu a porta da gaiola.
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
* * *
Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…
Essa é uma das belas história de Rubem Alves

terça-feira, 14 de abril de 2015

Comunidade de Comunidades: Uma nova paróquia

Na 52ª Assembléia Geral , da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Aparecida, nos dias 30 de abril a 09 de maio de 2014 é aprovado o documento nº 100 da CNBB -  Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia. O documento chama a atenção à conversão pastoral da paróquia. Pensar nas ações ultrapassadas e caducas e retornar a essência, frutos cultivados nas comunidades primitivas. Grupos menores, que caminham com pé no chão, ciente da realidade e dispostos a serem discípulos missionários. "A comunidade evangeliza e testemunha a alegria do Evangelho".

O texto reforça as palavras do Papa Francisco: "Pastoral é exercício da maternidade da Igreja. Ela gera, amamenta, faz crescer, corrige, alimenta e conduz pela mão.

Trata-se de uma proposta ousada e desafiadora. Sair do comodismo, não centrar o devocionismo, ir ao encontro do outro. Dependerá do empenho de todos.

Finalizando o documento, no último parágrafo temos uma mensagem de esperança: " Aquele que renova todas as coisas ilumine e conduza os passos da renovação paroquial que a Igreja no Brasil pretende. A nova realidade implica um novo entusiasmo por Deus e por seu Reino. A conversão paroquial exige uma renovação espiritual e pastoral que se expressa na nova evangelização.




terça-feira, 31 de março de 2015


Do CEBI

Marcos 11.1-11: Jesus, o empregado de todas e de todos, vem montado num animal de carga [Mesters e Lopes]



38º Romaria da terra<br>Fonte: Paulo Daniel Derensbeed
Abrir os olhos para ver
Esse texto fala da grande manifestação popular em favor de Jesus no Domingo de Ramos. Sentado num jumento, animal de carga, Jesus entra em Jerusalém, capital do seu povo. Os discípulos, as discípulas e povo romeiro, vindos da Galileia, o aclamam como messias. Mas o povo da capital não participa. Apenas assiste, e as autoridades nem aparecem. A romaria termina na praça do Templo, a praça dos poderes. Parece uma passeata que termina diante da catedral e do Palácio do Planalto. Também hoje há manifestações populares. As suas reivindicações revelam o sofrimento do povo e a sua indignação frente às injustiças. Nem todos participam, pois têm medo. A maioria apenas assiste.
Situando
 
Finalmente, após uma longa caminhada de mais de 140 quilômetros, desde a Galileia até Jerusalém, a romaria está chegando ao seu destino. A cena se passa em Jerusalém, símbolo central da religião (Sl 122,3). No início do bloco, está o gesto simbólico de Jesus: aclamado pelo povo peregrino, ele entra na cidade montado num jumentinho, animal de carga.
 
A caminhada de Jesus e seus discípulos era também a caminhada das comunidades no tempo em que os evangelistas escreviam o seu evangelho: seguir Jesus, desde a Galileia até Jerusalém, desde o lago até o calvário, com a dupla missão de denunciar os donos do poder que preparam a cruz para quem os desafia e de anunciar ao povo sofrido a certeza de que um mundo novo é possível. Esta mesma caminhada continua até hoje.
 
Comentando 

A chegada em Jerusalém

Jesus vem caminhando, como romeiro no meio dos romeiros! O ponto final da romaria é o Templo, onde mora Deus! Em Betânia ele faz uma parada. Betânia significa Casa da Pobreza. Era um povoado pobre fora da cidade, do outro lado do Monte das Oliveiras. De lá, Jesus organiza e prepara a sua entrada na cidade. Ele manda os discípulos buscar um jumentinho, um jegue, animal de carga, para poder realizar um gesto simbólico.

A ajuda dos discípulos e das discípulas

Os discípulos fazem como Jesus tinha mandado, e tudo acontece conforme o previsto. Eles encontram o jumentinho e o levam até Jesus. E alguns dos que ali se encontravam perguntaram: "Por que vocês estão soltando o jumentinho?" E eles responderam: "Jesus está precisando!" Todos nós somos como o jumentinho, animal de carga. Jesus precisa de nós.

A entrada solene na Cidade Santa

Jesus monta o jumentinho e entra na cidade, aclamado pela multidão de peregrinos e pelos discípulos. Na cabeça deles está a ideia do messias rei glorioso, filho de Davi! Eles acreditam que, finalmente, o Reino de Davi tenha chegado e gritam: "Bendito o Reino que vem de nosso pai Davi!" Jesus aceita a homenagem, mas com reserva. Montado no jumentinho, ele evoca a profecia de Zacarias que dizia: "Teu rei vem a ti, humilde, montado num jumento. O arco de guerra será eliminado" (Zc 9,9-10). Jesus aceita ser o messias, mas não o messias rei glorioso e guerreiro que os discípulos imaginavam. Ele se mantém no caminho do serviço, simbolizado pelo jumentinho, animal de carga. Jesus ensina agindo. Os discípulos, que procurem entender o gesto de Jesus, mudem de ideia e se convertam!

Alargando 

As romarias do povo e os salmos de romaria  

As romarias para Jerusalém eram feitas três vezes ao ano, nas três grandes festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (cf. Ex 23,14 e 17). Dos lugares mais distantes os romeiros vinham caminhando. Alguns faziam cinco, seis ou mais dias de viagem. Vinham para Jerusalém, a capital, "a cidade grande e bela, para onde tudo converge" (cf. Sl 122,3-4). As romarias eram momentos de confraternização e de muita alegria: "Fiquei foi contente, quando me disseram: Vamos para a Casa do Senhor!" (Sl 122,1). Nestas longas viagens, o povo rezava e cantava os Salmos de Romaria. Jesus também os rezou, junto com os peregrinos da Galileia, nesta sua última romaria para a Casa de Deus, em Jerusalém.
 
Os "Salmos de Romaria" formam uma coleção de 15 salmos dentro do saltério, do Salmo 120 até o Salmo 134. São salmos pequenos. O povo que rezava quando subia para o Templo de Jerusalém em peregrinação. Por isso, chamados "Cânticos das Subidas". Eles diziam: "Vinde! Vamos subir ao Monte de Javé!" (Is 2,3). "Vamos subir a Sião, a Javé, nosso Deus!" (Jr 31,6).
 
Apesar de pequenos, os Salmos de Romaria possuem uma grande riqueza. São uma amostra de como o povo rezava e se relacionava com Deus. Eles ajudam o povo a perceber os traços de Deus nos fatos da vida. Transformam tudo em prece, mesmo as coisas mais comuns da vida de cada dia. De um jeito bem simples, revelam a dimensão divina do quotidiano. Ajudam a perceber e a rezar a dimensão divina do humano.
 
Também eram chamados "Cânticos dos Degraus". Provavelmente por causa da majestosa escadaria de 15 degraus que dava acesso ao Templo de Jerusalém. Daí, talvez, a razão de a coleção ter exatamente 15 salmos.

A subida pelos 15 degraus da escadaria do Templo era uma imagem e um resumo da própria romaria, desde o povoado até Jerusalém. E ambas, tanto a subido como a romaria, eram um símbolo ou uma imagem da caminhada de cada pessoa em direção a Deus.
 
Quando, finalmente, após longa caminhada, o romeiro chega ao Templo e experimenta algo da presença de Deus, as palavras já não bastam para dizer o que se vive. Então, o gesto das mãos completa o que falta nas palavras. Isto transparece nos Salmos de Romaria. Assim, no último salmo, gesto e palavra se unem para expressar o que se vive: "Levantem as mãos para o santuário e bendigam a Javé!" (Sl 134,2).
 
Ao longo dos salmos de romaria, os mesmos pensamentos e sentimentos aparecem e reaparecem, do começo ao fim. Eles indicam a direção da oração, o rumo do Espírito. Eis uma lista que pode servir como chave de leitura para nós.
 
1.     O pano de fundo que percorre estes salmos é a experiência libertadora do Êxodo e do Exílio;
2.     São orações em que agricultores expressam e rezam a sua vida e os seus problemas;
3.     Transparece nas imagens usadas uma situação de violenta opressão e de exploração do povo;
4.     Em alguns destes salmos, se passa do eu para o nós, o que revela a integração na comunidade;
5.     Neles se expressa a alegria intensa da confraternização dos romeiros em Jerusalém;
6.     O Templo ocupa um lugar importante na vida do povo, lugar de encontro com Deus;
7.     A ambivalência da monarquia e da cidade de Jerusalém: centro que atrai e que oprime;
8.     Um grande desejo de paz e de liberdade percorre quase todos estes salmos;
9.     Não usam ideias rebuscadas, mas transformam em prece as coisas comuns da vida;
10.  No centro de tudo, no começo e no fim, está a fé em "Javé que fez o céu e a terra".
38º Romaria da terra<br>Fonte: Victória Holzbach | Arquidiocese de Passo Fundo

Fonte: Extraído: Caminhando com Jesus, parte 2, p. 53-57 [Carlos Mesters e Mercedes Lopes]

domingo, 1 de março de 2015

O MÉTODO VER-JULGAR-AGIR no DNC
Diretório Nacional de Catequese (nº. 157-162) 

Você conhece o Método que o DNC indica para o ensino da fé na catequese?

O método ver, Julgar, Agir, por experiência e tradição pastoral latino americana tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.

VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos... 

É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.

ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.

AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.

REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.
O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.
O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo. 

Fonte: DNC – pgs 106 a 108.Diretório Nacional de Catequese (nº. 157-162)

Você conhece o Método que o DNC indica para o ensino da fé na catequese?
O método Ver-Julgar-Agir, por experiência e tradição pastoral latino americana tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo “julgar” está sendo substituído por ILUMINAR. Nesse processo do ver-iluminar-agir, acrescentaram-se o CELEBRAR e o REVER. Não são passos estanques nem sequência de operações, mas, trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.
VER (158) - É um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da Vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, sócio-culturais, políticos e religiosos...
É necessário que o próprio catequista tenha formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com seus problemas de realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.
ILUMINAR (julgar) (159) - É o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com cobertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade á mesma Palavra, à Tradição e ao magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.
AGIR (160) - É o momento de tomar decisões, orientando vida na direção das exigências do Projeto de Deus. É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isto exige de catequistas e catequizandos confiança em Deus, coerência entre a Fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais.
O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum.
O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA (2005) que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e moral cristã.

CELEBRAR (161) - É momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. Esta dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa o grupo para a oração e contemplação, para o dialogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da Catequese tem aqui sua maior expressão.
REVER (162) - É o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos.
O rever é o ver de novo a caminhada da Catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar as decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação.
O rever é uma construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo.


Fonte: DNC – Diretório Nacional de Catequese. pgs 106 a 108.Brasilia: Edições CNBB, 2006.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

UM SEMEADOR SAIU A SEMEAR...
Queridos (as) Catequistas,
Um semeador saiu a semear... 
Ele jamais disse, num gesto de comodismo, que o solo é áspero, o sol queima demais, o grão não serve, é de segunda qualidade.
Sua função é semear.
Não lhe cabe julgar a terra, o tempo e as circunstâncias externas...
As sementes são abundantes e germinam facilmente: num pensamento fraterno, num sorriso amigo, numa promessa de alento, num aperto de mão cordial, num conselho oportuno, num pouco de água, numas migalhas de pão...
Por isso, não plante descuidadamente, como alguém que apenas cumpre uma tarefa imposta, como alguém que trabalha forçado, sem interesse.
Plante com amor, com atenção, num clima de otimismo, com vibração, com entusiasmo, com alegria, como amigo sincero que busca construir...
E ao semear, não pense jamais:
Quanto me darão em recompensa? Será gratificante a colheita?
Recorde sempre que você não planta para enriquecer, que você não reparte para ser aplaudido.
Você frutifica porque não pode viver sem dar, porque você não pode servir a Deus sem ir ao encontro dos seus irmãos.
Sempre que você reparte na generosidade, sem pensar na colheita, sua riqueza se multiplica ao infinito.
Porque você semeia um reino onde doar é receber.
Um reino onde perder a vida é encontrá-la.
Um reino onde morrer é ressuscitar!
Semeador da bondade, siga pela estrada afora sentindo a brisa mansa do Evangelho...
Avance sorrindo, levando em sua bagagem tudo aquilo que você tem de bom...
Não tenha medo das vigílias longas ou das madrugadas insones.
Lembre-se, dia e noite, que o fruto nasceu para ser partilhado, distribuindo e ofertado.
No grande campo do mundo, na imensa seara das almas, você é o semeador de um reino.
Um semeador saiu a semear...
E, semeando na fraternidade, a semente caiu em terra fértil, frutificando na eternidade!
(Revista Ecoando)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Oração para pedir ignorância(padre José Luiz Gonzaga)

ó Deus,dai-me a graça de não saber nada,de ser ignorante,sem conhecimento,atrasado,para que, assim,
eu possa aprender tudo,possa alcançar a verdadeira sabedoria,venha a ser capaz de admirar , de descobrir coisas novas, de me atualizar a cada momento da vida.
Fazei que eu não queira conhecer outra cois que não seja Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado.
      Que cada dia eu possa entender melhor o que significa ser discípulo de um marginal , seguidor de um homem condenado como ameaça ao sistema e criminoso irrecuperável , companheiro de alguém que foi eliminado como lixo da sociedade .
Que jamais eu pretenda saber qualquer coisa que não sirva  para entender melhor o que isso significa.
             Livrai-me senhor, de ser o" sabe tudo"!
Livrai-me de parecer um mestre!
Livrai-me de ter a ultima palavra!
De ter todas as respostas,  de, por um momento que seja , achar que nada tenho a aprender.
ensinai-me a ouvir os que nada tem a dizer .
Ensinai-me a aprender dos que não sabem , a alcançar a sabedoria dos analfabetos,a aprofundar a minha fé
na prática dos sem-estudos.
Fazei que eu perca a ilusão dos livros e dê mais valor á realidade da vida.
Que eu perca a ilusão das palavras bonita e me empenhe cada  vez mais no compromisso com a verdade.
Que eu tenha, acima de tudo, a sabedoria da cruz, a sabedoria último lugar , que transforma em ilusão
toda sabedoria, toda ciência , toda técnica,todo palavreado humano.

PELO CRISTO, DE MÃOS GROSSAS, ANALFABETO E CONDENADO À MORTE,
        MAS VIVO PARA SEMPRE.    AMÉM!  (Padre José Luiz Gonzaga do Prado)

domingo, 9 de novembro de 2014

BÍBLIA, DEUS SE ABRE COM A GENTE

Padre José Luiz Gonzaga do Prado


      Estamos no Juvenato, Paraguaçu-MG, para mais um Curso de Formação Bíblica do Setor Alfenas, com o Padre Zé Luiz.
         "Quando esmorece em nós a consciência da Inspiração, corre-se o risco de ler a Escritura como objeto de curiosidade histórica e não como obra do Espírito Santo, na qual podemos ouvir a voz do Senhor e conhecer a sua presença na história". Bento XVI em Verbum Domini 19.
         O importante é descobrir o que Deus quer de nós no texto Bíblico que se lê. A Bíblia é menos uma vidraça que deixa olhar o passado e muito mais um espelho para hoje.
            O Papa João Paulo II em sua Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, ao iniciar o capítulo sobre o rosto do Cristo a contemplar a partir dos Evangelhos, faz a ressalva: “De fato, os Evangelhos não pretendem ser uma biografia completa de Jesus, segundo os cânones da ciência histórica moderna”. Para muitos, isso pode soar como novidade, talvez até como escândalo. Então, nem tudo o que está nos Evangelhos é verdade histórica cientificamente exata? Não! É o Papa que está dizendo isso? É!
                O Documento só rejeita a interpretação ingênua e literal da Bíblia. É a sua característica principal, destacada no discurso do Papa. Abrir a Bíblia ao acaso para achar uma frase que venha a solucionar um problema meu pode ser uma atitude “piedosa” e “atraente”, mas é “uma forma de suicídio do pensamento” (A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA NA IGREJA, Paulinas, São Paulo, 1994, p.86).
                
1. Janela versus Espelho
            Nenhum escrito da Bíblia é apenas uma janela para o passado. É sempre e muito mais um espelho do que acontecia quando o texto foi escrito. Falando da criação do mundo, contando uma estória dos patriarcas ou um episódio da vida de Jesus, a Bíblia está muito mais interessada em refletir, iluminando o que acontece (ser espelho) do que em deixar ver com exatidão o que aconteceu (ser janela). Lida como espelho do que acontecia quando se escreveu, pode servir de espelho para hoje. Quanto mais escuro do lado de lá e mais claro do lado de cá, mais a vidraça vira espelho. A Bíblia tem um caráter divino, não como vidraça ou janela para o passado e sim como espelho, não como história, mas como luz para a vida. “Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça. Assim, a pessoa que é de Deus estará capacitada e bem preparada para toda boa obra” (2Tm 3,16-17).

Duas versões da Criação Gn 1,1 - 2,4a e Gn2,4b - 25. São duas narrativas em contextos diferentes.



domingo, 2 de novembro de 2014

Do caderno de formação

Luzes e esperanças para a família do século XXI
Nem tudo são só espinhos e sombras. Temos presente em nossa realidade familiar luzes que
nos dão muitas esperanças:
􀀹 Cresceu a consciência da liberdade pessoal e maior atenção à qualidade das relações
interpessoais no matrimônio.
􀀹 A promoção da dignidade da mulher.
􀀹 Maior atenção na educação dos filhos no exercício da paternidade e maternidade
responsável.
􀀹 Maior união da família nas relações de ajuda, nos momentos de necessidade.
􀀹 Descoberta da importância da família e sua missão na Igreja e na sociedade.
Tanto a família quanto a catequese tem uma missão em comum: educar para o Amor,
transmitindo valores humanos e cristãos. Diante das ameaças do mundo capitalista, é preciso não
perder a esperança e abrir-se ao diálogo, revendo nossos métodos para educar os filhos no lar.
O Papa Paulo VI, em seu documento Evangelização no mundo contemporâneo (n. 71)
oferece uma catequese ao tratar sobre a família como centro de irradiação do Evangelho. Vamos
refletir alguns aspectos importantes para a família na educação da fé:
􀂃 No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de pôr
em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja,
ela mereceu bem a bela designação aprovada pelo II Concílio do Vaticano: ‘Igreja
doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos
aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um
espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia.
􀂃 No seio de uma família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma
família evangelizam e são evangelizados. Os pais, não somente comunicam aos filhos o
Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E ‘uma
família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que
ela se insere’.
􀂃 A futura evangelização depende em grande parte da Igreja doméstica. Esta missão
apostólica da família tem as suas raízes no batismo e recebe da graça sacramental do
matrimônio uma nova força para transmitir a fé, para santificar e transformar a sociedade
atual segundo o desígnio de Deus.
􀂃 A família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança
pascal de Cristo, mediante a irradiação constante da alegria do amor e da certeza da
esperança, da qual deve tornar-se reflexo: ‘A família cristã proclama em alta voz as virtudes
presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada.’
􀂃 O mistério de evangelização dos pais cristãos é original e insubstituível: assume as
conotações típicas da vida familiar, entrelaçada como deveria ser com o amor, com a
simplicidade, com o sentido do concreto e com o testemunho do quotidiano.
􀂃 A família deve formar os filhos para a vida, de modo que cada um realize plenamente o seu
dever segundo a vocação recebida de Deus. De fato, a família que está aberta aos valores do
transcendente, que serve os irmãos na alegria, que realiza com generosa fidelidade os seus
deveres e tem consciência da sua participação cotidiana no mistério da Cruz gloriosa de
Cristo, torna-se o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada ao Reino de
Deus.
O Documento da Conferência de Santo Domingo (cf. n. 214) apresenta a identidade e a
missão da família através de quatro aspectos:
a) A missão da família é viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas
chamadas a testemunhar a unidade por toda a vida (valor unitivo).
b) Ser santuário da vida, serva da vida, conservando o direito à vida como a base de todos os
direitos humanos (valor procriativo). Nela deve-se transmitir e educar para os valores
autenticamente humanos e cristãos.
c) Ser ‘célula primeira e vital da sociedade’. Por natureza e vocação, a família deve ser
promotora do desenvolvimento, protagonista de uma nova cultura que valorize a família.
d) Ser ‘Igreja doméstica’ que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus. Lugar
privilegiado para a “fazer catequese”, aprofundando e dando razões para a fé, na vivência do
discipulado de Jesus.
A Conferência de Santo Domingo propôs como uma das linhas pastorais para a família:
“Fortalecer a vida da Igreja e da sociedade a partir da família: enriquecê-la a partir da catequese
familiar, a oração no lar, a Eucaristia, a participação no Sacramento da Reconciliação, o
conhecimento da Palavra de Deus, para ser fermento na Igreja e na sociedade.” (Santo Domingo, n.
225).
A Família é o melhor espaço para formar e orientar os filhos rumo a uma vida
verdadeiramente humana, cristã e feliz.
Quanto maior for a nossa formação humana e cristã, melhores condições temos para
transmitir às nossas crianças e adolescentes o interesse pela descoberta das riquezas da fé. E o gosto
de, juntos saborearmos as maravilhas do amor de Deus para connosco, e de Lhe correspondermos
com o nosso amor filial.
A família encontra hoje não poucos obstáculos, sobretudo neste “momento histórico em que
ela é vítima de muitas forças que buscam destruí-la ou deformá-la” (Santo Domingo, n. 210). Deste
modo, a catequese precisa conhecer algumas pistas de ação para ajudar a família a encontrar a sua
missão:
a) Conhecer as diversas situações e a realidade de cada catequizando.
b) Conscientizar as famílias para participação mais ativa na Igreja, como incentivo e
testemunho para os seus filhos que estão caminhando na catequese.
c) Por meio de ações conjuntas com a Pastoral Familiar, oferecer esclarecimentos e
possibilidades de regularização às famílias em situações irregulares (especialmente aos
amasiados que não têm impedimentos para casar na Igreja).
d) Não discriminar as famílias e crianças e não abandoná-las por motivo algum. Acolher a
todos, sem distinção, independentemente de suas opções.
e) Oferecer às famílias em dificuldades apoio e orientação, no diálogo.
f) Aos casais separados, prestar apoio e acolhida, com especial atenção aos seus filhos.
g) Distinguir entre o mal e a pessoa. No dizer do papa Paulo VI: “Jesus foi intransigente para
com o mal, porém misericordioso para com as pessoas”.
h) Distinguir com perspicácia as famílias que procuram a Igreja não muito bem intencionada,
querendo dar um jeitinho para receber os sacramentos sem a devida preparação.
i) As situações delicadas que aparecem na catequese, levar ao conhecimento do padre para
descobrirem juntos as possíveis soluções. Depois de averiguar os casos, dar os
encaminhamentos necessários, baseando sempre na verdade e na caridade.
A família continua sendo muito importante para os planos de Deus. Ela é uma instituição
divina, sonhada por Deus e fruto da sua benigna vontade. Ela não pode ficar desacreditada. Ela é
dom de Deus, por isso merece todo o nosso empenho e todo o nosso amor. Se a catequese não zela
pela família, como vai cuidar pastoralmente dos seus catequizandos? E se as famílias não se
interessam pela catequese, que futuro poderão dar a seus filhos no caminho da justiça e da fé?
O papa João Paulo II, na encíclica Familiaris Consortio, dirige algumas palavras
significativas que servem de horizonte para a missão da catequese: “Amar a família significa saber
estimar os seus valores e possibilidades, promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir
os perigos e males que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em
criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, e por fim, forma eminente de amor à família
cristã, de hoje, muitas vezes tomada por desconfortos e angustiada por crescentes dificuldades, é
dar-lhe novamente razões de confiança em si mesma, nas riquezas próprias que lhe advém da
natureza e da graça na missão que Deus lhe confiou”.