quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Batismo do Senhor e o novo Brasil (Maria Clara Bingemer)


A festa do Batismo do Senhor é uma festa que põe em relevo a vida cristã antes de mais nada como missionária. A circunstancia mesma em que o Evangelho situa o Batismo de Jesus ressalta este aspecto. Antes de iniciar sua vida pública, Jesus deixa-se batizar por João, no rio Jordão. É sobre esse gesto, carregado de significados, que nos detemos, neste início de um novo Tempo Litúrgico em nossa Igreja.
Não é por acaso que Jesus se deixa batizar no início de sua vida pública. Com esse gesto, Ele marca uma nova etapa na Sua própria vida, deixando para trás Nazaré e sua família, e, partindo para viver em plenitude a missão que lhe foi confiada pelo Pai. Viver esta missão, que também é dada a cada um de nós, deve ser o centro da vida de todos os cristãos. Por isso, nosso batismo deve representar a aceitação dessa missão e a nossa intenção em vivê-la em plenitude, como o próprio Cristo viveu.
Também por isso, o batismo deve ser vivido com a graça própria dos sacramentos: sinal de Deus para um mundo conturbado e desejoso de paz.
Na cena do batismo de Jesus, vemos, em seu final, o Espírito de Deus aparecer sobre forma de uma pomba e pousar sobre o Cristo. Dos céus, uma voz disse: "Este é o meu Filho bem amado, no qual pus todo o meu contentamento." (Lc 3,
22) Com esse gesto, Deus nos mostra, não só o Seu amor especial por Jesus Cristo, mas a presença de Seu Espírito sobre Ele, acompanhando-O em Sua missão.
Em nosso batismo, também recebemos o Espírito Santo, espírito de ânimo, de fortaleza e de sabedoria que deve ser o nosso companheiro de Missão. É Ele que nos moverá, que colocará palavras em nossas bocas e que nos fará ser sinais de Deus em nosso tempo. Por isso, viver o batismo é viver a graça de possuir o sopro desse Espírito dentro de nós, e saber que, somente com Ele, por Ele e n´Ele poderemos ser verdadeiros filhos de Deus.
Neste momento que vivemos em nosso país, a celebração da Festa do Batismo do Senhor cobra uma especial importância. Estamos entrando em uma nova etapa, em um novo estilo de cidadania brasileira. Iniciamos um período em que as prioridades passam a ser as necessidades mais fundamentais da vida de um povo pobre e oprimido. Não são mais as grandes diretrizes do mercado financeiro que irão reger a vida da nação. Mas sim as necessidades mais básicas e simples do mais humilde dos cidadãos brasileiros.
A prova é que o novo governo traçou como prioridade um o combate à fome. E conclamou toda a sociedade a entrar nesse combate que impede o acesso de tantos a uma vida humana digna desse nome. Para que o combate à fome seja bem sucedido, será necessário não apenas o concurso de todos em ações concretas e eficazes, mas também uma conversão de estilo de vida, mais austero, mais sóbrio, com menos desperdício e mais simplicidade.
Um Brasil onde todos possam fazer três refeições ao dia e, portanto, ser bem nutridos, não pode ser um Brasil onde uns poucos se empanturram com o supérfluo que falta a muitos. Deve, pelo contrário, ser um país no qual aquilo de que poucos têm o direito de desfrutar se transforme em bem comum e partilhado por todos.
A festa do Batismo do Senhor, portanto, nos recorda que ser batizado não é apenas crer em verdades de fé e ter práticas piedosas e religiosas de vida. Mas é sobretudo assumir como sua a missão de Jesus, confirmada pelo Pai e pelo Espírito Santo: libertar os pobres, devolver a vista aos cegos, fazer os coxos andarem, libertar os cativos, fazer com que a justiça e o direito jorrem generosos para todos.
No Brasil passado a limpo pela vitória da democracia e pela ascensão à Presidência da República de um operário que conheceu a fome e a pobreza significará assumir como prioridade sua, em sua vida, o combate à fome e à miséria e a luta diuturna para fazer de cada cidadão brasileiro alguém vivo e plenamente capaz de ocupar seu espaço no mundo.
Se assim vivermos nosso Batismo, estaremos realmente sendo servidores da missão de Cristo. E ouviremos do Pai a consoladora confirmação de que somos seus filhos muito amados. E sentiremos o Espírito movendo-nos e dando-nos força para realizar proezas que pareciam impossíveis, mas que serão colocadas ao nosso alcance porque as realizaremos juntamente com Jesus.
Maria Clara Lucchetti Bingemer 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


Quero

Quero o sorriso da chegada
Nunca o sofrer da despedida
Quero o frescor da madrugada
Nunca a face da amizade fingida.

Quero sentir teu coração
Batendo em ritmo de amor
Quero a vida em canção
Exalando o perfume da flor.

Quero estar sempre a teu lado
Caminhando na esperança
Vivendo a cada dia ensolarado
E sonhando a manhã criança.

Quero com graça envelhecer
Enxugar no rosto a lágrima
Esperar a hora bendita e colher
Levarei amigos deixarei estima.
Luiz Sergio Palhão

domingo, 13 de janeiro de 2013


Dos cadernos de formação


Vale a pena conferir o quanto o encontro pode mudar a
nossa vida. Vamos prestar atenção no significado do encontro do principezinho com a raposa, na
obra de Saint-Exupéry:
“E foi então que apareceu a raposa: (...)
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”? (...)
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil
outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não
passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos
necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo… (...)
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se
parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me
cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
- O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os
campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram
coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me
tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no
trigo. (..)
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de
conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
(Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe)
A liturgia faz nossa vida ser diferente. Ela expressa nossa espiritualidade através do culto,
do ritual, do gesto e do memorial, que transformam o cotidiano, tornando nosso mundo especial.
Nós precisamos de ritos e dos símbolos. Sem eles a vida não vira festa. Vejamos o que diz o diálogo
do Pequeno Príncipe com a raposa:
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da
tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei
feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu
vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente
dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito.
Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou
passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não
teria férias! Assim o principezinho cativou a raposa.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Paz aos excluídos


1. SITUANDO
O motivo que levou José e Maria a viajar para Belém foi o recenseamento decretado pelo imperador de Roma (Lc 2,1-7). Periodicamente, as autoridades romanas decretavam tais recenseamentos nas várias regiões do seu imenso império. Era para recadastrar a população e saber quanto cada pessoa tinha que pagar de imposto. Os ricos pagavam imposto sobre a terra e sobre os bens que possuíam. Os pobres pagavam pelo número de filhos. Às vezes, o imposto total chegava a mais de 50% dos rendimentos da pessoa.
Há uma diferença significativa entre o nascimento de Jesus e o nascimento de João. João nasce em casa, na sua terra, no meio dos parentes e vizinhos e é acolhido por todos (Lc 1,57-58). Jesus nasce desconhecido, fora de sua terra, no meio dos pobres, fora do ambiente da família e da vizinhança. "Não havia lugar para ele na hospedaria". Teve que ser deitado numa manjedoura.

2. COMENTANDO
2.1 Lucas 2,8-9: Os primeiros convidados
Os pastores eram pessoas marginalizadas, pouco apreciadas. Viviam junto com os animais, separados do convívio humano. Por causa do contato permanente com os animais eram considerados impuros. Ninguém jamais os convidava para vir visitar um recém-nascido. É a estes pastores que aparece o anjo do Senhor para transmitir a grande notícia do nascimento de Jesus. Diante da aparição dos anjos, eles ficam com medo.
2.2 Lucas 2,10-12: O primeiro anúncio da boa-nova
A primeira palavra do anjo é: "Não tenham medo!" A segunda é: "Alegria para todo o povo!" A terceira é: "Hoje!" Em seguida, vêm três nomes para identificar quem é Jesus: Salvador, Cristo e Senhor! SALVADOR é aquele que liberta todos de tudo que os amarra! Os governantes daquele tempo gostavam de usar o título de Salvador (Soter). CRISTO significa ungido ou messias. Era um título dado aos reis e aos profetas. Era também o título do futuro libertador. Significa que esse menino recém-nascido veio realizar as esperanças do povo. SENHOR era o nome que se dava ao próprio Deus! São os três maiores títulos que se possa imaginar. A partir deste anúncio do nascimento de Jesus como Salvador, Cristo e Senhor, você imagina alguém da mais alta categoria. E o anjo lhe diz: "Atenção! Tem um sinal! Você vai encontrar um menino deitado num barraco no meio dos pobres!" Você acreditaria? O jeito de Deus é diferente mesmo!
2.3 Lucas 2,13-14: Glória no mundo de cima, Paz no mundo de baixo
Uma multidão de anjos aparece e desce do céu. É o céu desabando sobre a terra. As duas frases do refrão que eles cantam dão o resumo do que Deus quer com o seu projeto. A primeira diz o que acontece no mundo lá de cima: "Glória a Deus nas alturas". A segunda diz o que vai acontecer no mundo cá de baixo: "Paz na terra aos seres humanos por ele amados". Se a gente pudesse experimentar o que significa realmente ser amado por Deus, então tudo mudaria e a paz viria morar na terra. E isto seria a maior glória para Deus que mora nas alturas.
2.4 Lucas 2,15-20: A palavra vai sendo acolhida e encarnada
A Palavra de Deus não é apenas um som que a boca produz. Ela é, sobretudo, um acontecimento! Os pastores dizem, literalmente: "Vamos ver esta palavra que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer!" Em seguida, Lucas diz que "Maria conservava estas palavras (acontecimentos) em seu coração" e as ruminava. São duas maneiras de se perceber  e acolher a Palavra de Deus: 1) Os pastores se levantam para ir ver os fatos e verificar neles o sinal que foi dado pelo anjo; 2) Maria conserva os fatos na memória e as confere no coração. Ou seja, ela conhece a Bíblia e tenta entender os fatos novos iluminando-os com a luz da Palavra de Deus.

3. ALARGANDO
Novamente, ao longo da descrição do nascimento de Jesus, Lucas sugere que as profecias se realizaram! Eis algumas delas:
Apareceu a luz das nações, anunciada por Isaías! (Is 9,1; 42,6; 49,6).
Nasceu o menino, prometido pelo mesmo profeta (Is 9,5; 7,14).
O menino que devia nascer para dar alegria ao povo e trazer a salvação de Deus (Is 9,2).
Ele nasceu em Belém. Por isso é o Messias prometido, conforme anunciou Miquéias (Mq 5,1).
Chegou o tempo da paz anunciada por Isaías, em que animais e seres humanos vão se reconciliar e farão desaparecer da terra toda a violência assassina (Is 11,6-9).
O imperador romano pensava ser o dono do mundo. Na realidade, ele não passava de um empregado. Sem saber e sem querer, ele executava os planos de Deus, pois o decreto imperial fez com que Jesus pudesse nascer em Belém e realizar a profecia (Lc 2,1-7).
O que chama a atenção neste texto são os contrastes:
Na escuridão da noite brilho uma luz (2,8-9)
O mundo lá de cima, o céu, parece desabar e envolver  nosso mundo cá de baixo (2,13).
A grandeza de Deus se manifesta na fraqueza de uma criança (2,7)
A glória de Deus se faz presente numa manjedoura de animais (2,16)
O medo provocado pela repentina aparição do anjo dá lugar à alegria (2,9-10)
Pessoas que vivem marginalizadas de tudo são as primeiras convidadas (2,8)
Os pastores reconheceram Deus presente numa criança (2,20)
Outro dia, foi dado o aviso: "O celebrante de hoje será o senhor João!" Muitas pessoas não aceitaram e saíram. Diziam: "O João nem sabe ler direito!" Qual a mensagem de Natal para estas pessoas que recusam o senhor João?              (fonte: http://www.cebi.org.br)


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Magos em Belém: culturas diferentes à busca de Deus (Mt 2,1-12) - Marcelo Barros


Irmãs e irmãos da comunidade de Mateus,
Quero conversar com vocês como se estivéssemos uns diante dos outros e vocês fossem conterrâneos deste início de século conturbado e tão carente de esperanças. No começo, pensei em escrever uma carta pessoal a Mateus, mas nenhum livro da Bíblia é de cunho somente individual. Além disso, embora desde os tempos mais antigos todos atribuam a Mateus a honra de ser o redator deste livro, nem ele assinou nem chama o texto de Evangelho (como Marcos inicia dizendo: "Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus"). Então, escrevo a vocês da comunidade, que participaram da experiência que gerou o texto de Mateus.
(...)
Ao contar a visita dos magos a Jesus Menino, vocês não pretendiam narrar um relato histórico ou um fato jornalístico. Quiseram significar o encontro de Jesus com os outros povos e culturas. Fizeram isso comentando textos bíblicos como Isaías 60, o salmo 72 e a profecia de Balaão (Nm 22-24). Vocês os comentam como os rabinos faziam, contando histórias (midrash), e nos presen­tearam esse relato tão bonito.
O poema do discípulo de Isaías (Is 60) e, talvez, mesmo o salmo vêm de uma época na qual Jerusalém estava sendo reconstruí­da. Os recursos eram poucos e, em comparação ao que era antes de ser destruída pelos babilônios, era uma aldeia. O profeta vê o sol nascer sobre a cidade e proclama a promessa de Deus de que, um dia, Jerusalém será luminosa e cheia de glória e os reis das nações a ela acorrerão trazendo presentes. Num contexto de sofrimento e de revalorização da identidade do povo pobre, aquela visão nada tinha de etnocentrismo. Era universalista. Aplicando essa profecia aos magos que vêm homenagear a criança pobre que nasceu em Belém, vocês a tornam mais universal ainda.
Embora não tenham dito que os magos eram reis e santos, como a tradição soube acrescentar, vocês contaram que eles gostavam das estrelas e vieram de longe, do oriente, atrás de uma estrela e em busca do Rei dos judeus que acabara de nascer neste mundo.
Com esse novo comentário narrativo de textos bíblicos (mídrash), desde o início do Evangelho, vocês associam as culturas e religiões diferentes à busca de Deus, ao reconhecimento de Jesus como "Rei dos Judeus" e ao acolhimento do Reino de Deus (ou dos céus, como vocês o chamam).
Na cultura judaica na qual a comunidade estava inserida, não deve ter sido fácil para vocês reconhecerem que até a astrologia e a interpretação dos sonhos podem conduzir pessoas como os magos ao Senhor. (Chouraqui chama os magos de "astrólogos''). Na região da Síria e da Ásia Menor era praticada a religião do deus Mitra. Era um sincretismo de antigos cultos ao sol. Os fiéis de Mitra contavam que o seu deus nasceu numa caverna na noite de 25 de dezembro (solstício do inverno e festa do sol que renasce do frio e da escuri­dão das noites cada vez mais longas). Aliás, por acaso, os sacerdotes de Mitra se chamavam "magos", porque eram homens que lidavam com os astros e com os mistérios da vida.
Será que, ao contar a bela história dos magos que vieram a Belém adorar o menino Jesus, vocês quiseram assumir algo da história de Mitra e transpô-la para o contexto cristão? Hoje, falamos muito de inculturação. Mas ainda há muitos bispos e pastores que têm preconceito contra sincretismo. Será que, nessa história, vocês da comunidade de Mateus queriam nos ensinar que há um tipo de sincretismo que é válido e compreensível?
(Fonte: http://www.cebi.org.br)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Linda reflexão de Terezinha Motta Lima da Cruz


Para refletir:
            Quem lidava com Jesus na Palestina tinha dificuldade em vê-lo como presença de Deus. Seus vizinhos diziam: Não é ele o filho do carpinteiro? Não cresceu entre nós? Outros, que ouviam sua fama e sabiam de suas origens, até comentavam: E de Nazaré pode vir alguma coisa boa?
            Conosco ocorre o inverso. Não conhecemos Jesus nas estradas da Palestina. Desde pequenos vemos sua imagem nos altares, cantamos-lhe hinos de louvor, nos ajoelhamos diante dele, adoramos sua presença na eucaristia. Nossa dificuldade não é admiti-lo como Filho de Deus. É vê-lo como muitos o viram na sua terra natal: um homem, alguém igual a nós. Ouvindo isso, é provável que, muito zelosamente, alguns mais versados na doutrina se apressem a corrigir: "Igual a nós em tudo, menos no pecado". Uma grande parte, possivelmente a maioria, não gostará muito nem dessa correção, por achá-la insuficiente. Dirão: Como ele pode ser diferente só por não ter pecado? Ele tem um poder que nós não temos! Sabe tudo! Está acima dessas
coisas humanas! Há um visível mal-estar quando se menciona que Jesus teve de aprender os hábitos e a cultura de seu povo, como todo o mundo, que ele podia se decepcionar, ter medo, ter preferências, dúvidas, dores e necessidades comuns humanas. Nada disso é pecado - caberia direitinho na doutrina - mas parece humano demais para ser digno do Filho de Deus.
            Por conta desse tipo de sentimento é que os evangelhos apócrifos contam histórias fantásticas, lendas de Jesus menino fazendo milagres de todo o tipo, como, por exemplo, soprar passarinhos de barro que saíam voando. Para a imaginação popular, era (é) difícil combinar a idéia de Jesus, segunda pessoa da Trindade, Filho de Deus, com os 30 anos de vida absolutamente comum de um aprendiz de carpinteiro, que em nada se destacou no meio de seus vizinhos. Em vez de se admirar e agradecer pelo magnífico amor aí manifestado por Deus nesse total despojamento, a maioria prefere imaginar um Jesus mágico, capaz de seduzir a todos com um olhar, mostrando desde pequeno que pertence a outra realidade. Mas é bom lembrar que, entre outras coisas, foi
principalmente por esse caráter mágico e sensacionalista que os evangelhos apócrifos não foram assumidos como norma de fé e Palavra de Deus pela Igreja.
            Lembro que certa vez organizamos uma tarde de oração que começava com as pessoas sendo convidadas a rezar reunidas em grupos ao redor de uma figura de Jesus crucificado. Uma senhora se afastou do grupo e foi rezar sozinha. A coordenadora foi ver o que havia e ela lhe explicou que era impossível rezar diante de uma figura tão "herética" que mostrava Jesus de rosto contraído como se estivesse revoltado por estar sendo crucificado. Ela imaginava Jesus sereno na cruz oferecendo seu sacrifício sem nenhum sentimento humano diante da violência, da tortura e da solidão da cruz. Afinal, o Filho de Deus tem de estar acima dessas coisas. Fica, é claro, sem explicação o escandaloso e "inoportuno" grito de Jesus: "Senhor, por que me abandonaste?".
            Em outra ocasião, uma catequista foi chamada à atenção porque estava imaginando o trabalho que Maria deveria ter tido para criar Jesus, com todos aqueles probleminhas comuns de criança, incluindo eventuais febres e dores de barriga. (Que criança não tem isso?) Foi um "Deus nos acuda!", com a catequista acusada de "desconhecer a doutrina" e faltar com respeito à pessoa divina de Jesus.
            De certa forma, é natural que isso aconteça. A Encarnação é tão escandalosa que fugimos dela criando uma imagem etérea de Jesus. É que aí a "loucura" de Deus passou mesmo dos limites. Admitir a total humanidade de Jesus parece um desrespeito porque há coisas em nossa vida que consideramos "menos dignas", mesmo que não sejam pecado e sejam absolutamente normais, humanas e até inevitáveis na vida diária. Esquecemos que a nossa própria natureza humana é obra de Deus e não pode ser pouco digna.
            No entanto, é justamente na Encarnação total, sem faz-de-conta, no pequeno e no grande da vida humana, que o amor de Deus manifestado em Jesus ganha toda a sua surpreendente, desconcertante magnitude! Aí reside o tesouro maior da nossa fé, uma demonstração tão grande do desejo de salvação, que nem conseguimos contemplá-la por inteiro, sem desvios. O poeta evangélico Rubem Alves, numa meditação sobre o Pai Nosso, descreve com muita ternura a beleza que é o menino Jesus precisar do leite de Maria para não passar fome. Ele diz que o Natal é uma espécie de "eucaristia ao contrário": na eucaristia nós nos alimentamos do corpo de Deus, no Natal Deus precisa de um corpo humano, o corpo de Maria, para se alimentar. Depois de crescer, Jesus vai continuar precisando de ajudas humanas tanto para se sentir feliz como para realizar sua missão: precisa do acolhimento de Marta e Maria, da amizade de Lázaro, dos amigos que lhe preparam o local da ceia, da mulher que o cobre com perfume, das casas que o acolhem na qualidade de pregador itinerante, da lealdade daqueles que escolheu para
continuar o trabalho, do barco dos pescadores do mar da Galiléia, do camponês de Cirene que o ajudou a carregar a cruz, de José de Arimatéia, que lhe ofereceu uma sepultura...
Therezinha Motta Lima da Cruz
Vamos perguntar:
1. Quem é Jesus pra mim? Olhando para sua pessoa, o que mais me chama a atenção?
2. Qual a imagem de Jesus que a nossa catequese transmite?

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Desenhos para colorir sobre o Natal





O Conteúdo da Iniciação do Cristão


Queremos neste pequeno texto lembrar ao Catequista o conteúdo da Fé cristã.


JESUS CRISTO está no centro da mensagem cristã. A partir de Jesus, vamos entender o sentido da nossa vida, o plano da salvação, nossa missão. Os Evangelhos nos falam de Jesus, do seu agir, do seu falar. Nossa catequese deve pôr o catequizando em contato vivo e pessoal com o Senhor, despertar um grande amor por ele e impulsioná-lo a seguir Jesus e tornar-se um verdadeiro discípulo.

A vida, a morte e a ressurreição de Jesus formam a grande mensagem a anunciar. É o mistério pascal que celebramos na Liturgia e vivemos no dia a dia. A catequese seja extremamente bíblica. O catequizando seja introduzido na leitura da Bíblia para poder viver da própria fonte da revelação de Deus.

A dimensão trinitária da Catequese

Jesus é a revelação de Deus, Pai. “Quem me vê, vê o Pai”, disse Jesus. Toda a pessoa de Jesus está voltada para o Pai. É a vontade do Pai que ele procura. Essa vontade do Pai é a salvação da humanidade, a verdadeira vida dos seus filhos. É um projeto de amor, uma boa notícia. Jesus se entrega à missão de anunciar esse Projeto e dá a própria vida por ela.

 Jesus não é o ponto final, mas é o caminho para seu Pai e nosso Pai.Jesus é a imagem do Pai, a Palavra do Pai, o rosto humano do Pai. A catequese deve não somente tornar Jesus conhecido e amado, mas deve levar o catequizando a amar a Deus que é amoroso e misericordioso.

Toda a vida de Jesus, desde a sua concepção, está, conforme a Bíblia, sob a força do Espírito Santo. Quando Jesus foi batizado, o Espírito Santo o ungiu para sua missão. Impulsionado pelo Espírito Santo, Jesus foi para o deserto a fim de se preparar para sua missão. E Jesus disse, quando estava na sinagoga em Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres...” e nos prometeu mandar o Espírito, depois da sua ressurreição. 

Não podemos anunciar Jesus, sem também anunciar a força do Espírito sobre ele, sobre a Igreja e sobre cada um de nós. Assim, numa boa catequese, a dimensão trinitária deve estar presente, sem nos perder em definições complicadas difíceis para o povo entender.

Jesus revela também o homem ao homem

Jesus Cristo, imagem do Deus invisível, é também a imagem do ser humano. Devemos crescer rumo à maturidade em Cristo, diz S.Paulo (Ef 4,13). Em Cristo torna-se claro o mistério humano, sua vocação, sua abertura para Deus, suas lutas e até suas tentações.

Jesus nos mostra que nós também somos imagem de Deus e como somos chamados a viver nossa vocação. Ele é nosso guia, a luz que nos mostra o caminho, aquele que nos mostra a nossa dignidade, o nosso valor aos olhos de Deus.

A catequese deve se preocupar com a formação humana, o valor e a autoestima da pessoa, com sua situação, seu sofrimento, sua vida familiar etc. A partir da realidade da sua vida, a pessoa vai encontrar em Cristo uma resposta para suas buscas e angústias.

Jesus anuncia o Reino de Deus

A mensagem de Jesus sobre Deus é uma boa notícia para a humanidade. Jesus anuncia o Reino. Mas, que é, exatamente, o Reino (ou reinado) de Deus que Jesus prega? 

A expressão “Reino de Deus” aparece 120 vezes nos evangelhos (em contraste com a palavra “Igreja” que aparece somente três vezes). Jesus começa a anunciar proclamando: “Convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17).  

Jesus não define o Reino, mas mostra, por sua vida, suas palavras, sua ação, o que é esse Reino. É para os pequenos, os humildes, os pobres, os marginalizados... Seus milagres mostram o que é. Suas parábolas o fazem entender.

O Reino de Deus não tem fronteiras. Será uma árvore grande onde as aves do céu (as nações do mundo) vão fazer seu ninho. O Reino já chegou, mas deve crescer, como dizem diversas parábolas sobre a semente e o joio. Nós estamos agora neste tempo de crescimento e devemos cooperar para que o Reino possa crescer.

Os apóstolos receberam a missão de proclamar essa Boa Nova (Mt 10,7). Depois de Pentecostes, o Reino, sob a força do Espírito, torna-se a perspectiva final da pregação evangélica. O tempo da Igreja é o tempo do crescimento do Reino de Deus até o dia da consumação dos tempos. O Reino de Deus é o grande SONHO DE DEUS. É um Reino de paz, de justiça, de amor e partilha. Então, a vontade de Deus será feita: a salvação, a libertação de todos. 

O anúncio do Reino de Deus dá uma perspectiva à evangelização, à catequese. Exige um dinamismo que olha o aspecto universal da salvação. Ultrapassa as fronteiras da Igreja, abre horizontes ecumênicos e de diálogo inter-religioso, procura construir os valores evangélicas no mundo secular: política, profissão, arte, cultura, educação, no campo social... A Igreja deve estar a serviço do Reino que é universal. Há um grande campo em que o cristão pode atuar, tornando-se realmente discípulo missionário, de que tanto falamos hoje em dia.

O Concílio Vaticano II chamou a atenção para o fato que a Igreja é sinal e instrumento do Reino. Ela mesma e cada um dos seus membros devem viver as exigências do Reino como Jesus ensinou. Mas, ela é também instrumento do Reino e deve trabalhar para que o sonho de Deus possa se realizar.

A Igreja está a serviço do Reino e deve trabalhar junto com todos, também os que estão fora da Igreja, que procuram uma sociedade de justiça, paz e amor.


Inês Broshuis
Comissão Bíblico-Catequética de BH e do Leste 2.
01.12.2012

O cultivo da Espiritualidade do Catequista

O cuidado com a Espiritualidade do Catequista se faz prioridade no Ano da Fé. É a Espiritualidade que mantém acesa a chama do Amor-Encontro com Deus e da Missão do Catequista. Sem espiritualidade o cansaço, o desânimo, o ativismo, tomam conta.


O que é Espiritualidade?

Será importante explicitar aqui, brevemente, o que é a Espiritualidade. A Espiritualidade é o oxigênio do coração. É viver segundo o Espírito. É uma maneira determinada de viver a globalidade da vida, com seus afazeres, dificuldades, objetivos e desafios, orientando-a pela luz da nossa fé cristã. Espiritualidade é nossa dimensão divina em tudo o que é humano.

Numa bela definição, Pe. Adroaldo Palaoro sj, nos diz: “É a espiritualidade que reacende desejos e sonhos, que desperta energias em direção ao algo “mais”; é a espiritualidade que faz descobrir, escondida no cotidiano, a presença amorosa do Deus Pai-Mãe que nos envolve; é a espiritualidade que projeta a vida a cada instante, abre espaço à ação do Espírito, nos faz ser criativos e ousados em tudo o que fazemos e dá sentido e inspiração a cada ação humana, por mais simples que seja; é a espiritualidade que nos desperta e nos faz descobrir que nossa vida cotidiana guarda segredos, novidades, surpresas... que podem dar novo sentido e brilho à vida.
É um modo de “ler” e interpretar a mensagem que cada experiência de vida pode nos comunicar. Essa dimensão espiritual se revela pela capacidade de diálogo consigo mesmo e com o próprio coração, se traduz pelo amor, pela sensibilidade, pela compaixão, pela escuta do outro, pela responsabilidade e pelo cuidado como atitude fundamental”.

Espiritualidade consiste primariamente não na recitação piedosa e humilde de determinados exercícios devocionais religiosos..., mas num modo de se posicionar na vida e ver todas as coisas. Olhar o mundo com os olhos do coração, ver o sagrado mistério da realidade... Então, espiritualidade não é momentos de oração, é a definição mais capenga. Nem se reduz a sacramento, retiro, silêncio...
 
Espíritualidade é o cultivo das coisas do Espírito. A palavra espiritualidade vem de espírito. Na Bíblia, “Espírito” quer dizer vida, movimento, força, presença, sopro, ardor. Espírito é a força que leva a agir. Espiritualidade é uma força que nos anima, inspira. Ela vem de dentro de nós e nos impulsiona para a ação. Na vida do Cristão, esta força é o Espírito Santo. Ele acende em nós o fogo do amor: amor a Deus, amor aos irmãos, amor a Catequese. E o amor nos faz atuar, agir.
           
Quem experimenta o encontro com Deus-Amor deseja estar com Ele. A oração é a conversa mais particular e íntima com Deus, que realimenta e fornece combustível para a dinâmica do encontro permanente com Ele e da leitura da sua presença na vida. Pondo diante de Deus o que somos e vivemos, ele nos ajuda a ver mais claramente, a identificar seu apelo nos chamados sinais dos tempos, que estão aí na nossa história pessoal e na sociedade. A oração mais do que palavras é estar com Deus. Como diz Santa Tereza é “querer estar a sós com aquele que sabemos que nos ama”.

Sem espiritualidade a catequese perde o rumo

Sem o cultivo da Espiritualidade é muito difícil a catequese caminhar bem. As coisas se transformam em rotina, o desânimo vai minando o trabalho, os conflitos tumultuam o grupo. Sem Espiritualidade as pessoas vão ficando endurecidas, descrentes, desgastadas. A Espiritualidade mantém viva o “porquê” e o “para que” somos catequistas. A causa (a paixão por Jesus e pelo Reino de Deus) nos mantém no caminho do seguimento e da paixão pela educação da fé da comunidade cristã.

Quem cultiva a espiritualidade, sente-se habitado por uma Presença, que irradia ternura e amor, mesmo em meio à maior dor. Tem entusiasmo porque sabe que carrega Deus dentro de si. Mesmo com desafios, dores, sofrimentos, um catequista assim sabe-se a caminho e um eterno aprendiz do Amor.

Algumas ações possíveis para o cultivo da Espiritualidade:
- Pode ser preciso realizar algum tipo de formação sobre Espiritualidade (o que é e o que não é; o que é experiência de Deus; a oração cristã...). Mas, é importante ter presente que um curso sobre Espiritualidade não irá resolver o cultivo da Espiritualidade do grupo de catequistas.

- Iniciar todas as reuniões com o grupo de catequistas (da paróquia, da comunidade) com um belo tempo de oração-celebração. Para isso, é importante preparar com antecedência o ambiente e a celebração. O “Catequese Hoje” tem postado belas sugestões em “Tempo da Delicadeza”.

- Organizar Manhãs ou Tardes de Espiritualidade, de maneira bem catequética, cuidando da centralidade da Palavra de Deus. Cuidar para ter espaço de silêncio e oração pessoal. É possível convidar alguém para ajudar na reflexão, mas cuidado para não transformar tudo em palestra e lição de moral. Seria bom se fosse planejado uma vez por semestre, pelo menos.

- Organizar retiros (um dia, um final de semana) com o grupo de catequista. O catequista precisa sair da rotina diária, ter espaço para saborear o encontro com Deus e consigo mesmo. Retiro não é curso ou palestra. Podemos pedir ajuda de algum pregador. Pode ser agendado uma vez ao ano. Quem experimenta o gosto bom de um retiro não irá fugir dele.

- Cuidar especialmente da Acolhida dos catequistas, catequizandos, famílias. Isto é parte integrante do cultivo de uma Espiritualidade da Comunhão.

- Desenvolver o cuidado com cada catequista e também catequizando, percebendo cada um como uma delicada obra de arte de Deus. Escutar as pessoas, ser sensível ao que estão passando.

- É necessário aprender a “gastar tempo” diante do Senhor e de sua Palavra. Podemos cultivar a espiritualidade através de pequenas coisas:
a) A oração ao amanhecer e ao dormir;
b) A leitura cotidiana de trechos da Bíblia,
c) Leitura Orante da Bíblia;
d) Ofício divino das comunidades;
e) A contemplação e a adoração silenciosa ao Santíssimo;
f) Os momentos de silêncio interior para escutar os apelos de Deus;
g) A escuta de músicas, orações ou reflexões de um CD de meditação;
h) A participação na Celebração Eucarística;
i)  E outros;

Temos que ter o cuidado para não cair na rotina de usar somente as orações “decoradas” ou simplesmente lidas. É importante rezar a vida e rezar com a vida, trazendo para o nosso interior, portanto, a realidade em que vivemos. Perceber a presença e atuação de Deus na vida, no mundo.

- A oração em comum alimenta em todos a comunhão na vivência em comunidade. A Celebração Eucarística é a que mais expressa e realiza a comunhão com Deus e com os irmãos. Mas a Espiritualidade da Comunidade não se reduz à participação na missa. Toda a vida do cristão deve ser um culto agradável a Deus.

Lucimara Trevizan
Comissão Regional Bíblico-Catequética do Leste 2
15.11.2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

belo texto do CEBI



O Natal só tem sentido se aponta para a Ressurreição! (Direção do CEBI)


Reviver a experiência natalina é um convite a ver de novo os sinais da presença divina nas antigas imagens e cenários
Chega o mês de dezembro e com ele se aproxima a celebração de mais um natal e de mais um fim de ano. Nos dias do advento, tempo que antecede o natal, atravessamos espaços litúrgicos sempre em busca de um encontro renovado com Jesus de Nazaré.
Este período sempre traz consigo um convite para revisitarmos caminho e caminhada, perguntar como estamos e como chegamos a este instante da jornada. Talvez, alguns de nós estamos chegando como o casal de Emaús: Desgastados e desalentados da dura caminhada até aqui. Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para o povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém. No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido. Enquanto conversavam a respeito de tudo, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles, mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-lo. (Lucas 24, 13-16)
Olhos cansados e desalentados são impedidos de ver, de reconhecer a presença de Jesus. Esta cena serve como um retrato das comunidades cristãs na época em que Lucas escreve seu Evangelho. Em nossos dias também cresce o número de pessoas que não acreditam mais em nada. Sem utopias e sem fé, muitas pessoas se encontram desiludidas com os problemas dentro das igrejas e na sociedade. Tudo isso faz crescer o medo, a violência e a falta de esperança no meio do povo.
O texto do caminho de Emaús tem inspirado não só a metodologia da leitura popular da Bíblia, mas toda a nossa espiritualidade. Nosso objetivo é conduzir o olhar não para o texto, mas para o caminho, para a vida e para os novos horizontes que se abrem a partir dela. Inspirados e inspiradas nesse texto, mais uma vez queremos convidar a todos nós que estamos na caminhada a levantar os olhos e reconhecer a presença do Menino que renasce. Reconhecê-lo no caminho a despeito de todos os sinais de violência, medo, dor e sofrimento. O natal só tem sentido se aponta para a páscoa da Ressurreição!
Reviver a experiência natalina é um convite a ver de novo os sinais da presença divina nas antigas imagens e cenários. Podemos, sob a inspiração do caminho de Emaús, olhar de novo a cena natalina e lá reconhecermos Jesus presente... na estrela que guia sempre no meio da noite escura... nos anjos que aparecem aos pastores e os fazem levantar e seguir em busca... no estábulo em sua tão rica humildade... no abraço de Maria e José diante do menino que mudou todo o curso e planos de suas vidas... e finalmente olhar e ver de novo o milagre de uma criança recém-nascida, pequena, vulnerável e frágil, mas, que traz consigo sinal de vida e esperança.
Com os olhos abertos e corações reaquecidos pela presença de Jesus contemplado na antiga cena natalina, tornemos a olhar ao nosso redor e olhemos outra vez a nosso cenário de vida e de luta! E quem sabe, como o casal de Emaús que voltou ao mesmo cenário onde seus olhos tinham contemplado apenas a morte, agora veremos algo novo, gente reunida declarando: “É verdade! O Senhor ressuscitou!” (v.33,34).  É verdade, uma criança nasceu e nos faz renascer!
Gente reunida declarando que a vida venceu a morte, pequeno grupo que resiste, pois reconhece que Jesus vive e renasce sempre. Isso é natal! Jesus nascendo sempre de novo nesse mistério que envolve a vida.  Que sejam assim nossos grupos, gente da leitura popular da Bíblia, gente reunida com a vida e a fé renovadas pela certeza de Jesus presente nascendo sempre de novo!
Adeodata, Odja e Luiz, Direção Nacional do CEBI


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Re-inventar a catequese
com o entusiasmo de quem descobriu o tesouro
e quer ser um discípulo apaixonado pelo Reino.
Proclamação do Evangelho segundo Mateus (Mt 13,44-46):
O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Alguém o encontra, deixa-o lá bem escondido e, cheio de alegria, vai vender todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus é também como um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, ele vai vende todos os bens e compra aquela pérola.
Para refletir:
“Há uma história de um homem que corre ao encontro de um monge que está passando pela aldeia: ‘Dê-me a pedra, a pedra preciosa!’ O monge diz: ‘De que pedra você está falando?’ O homem: ‘Ontem à noite, Deus me apareceu em sonho e disse: ‘Um monge estará passando pela aldeia ao meio-dia de amanhã, e se ele lhe der uma pedra que leva consigo, você será o homem mais rico do país. Então, dê-me a pedra!’ O monge remexeu no saco e tirou um diamante. O maior diamante do mundo, do tamanho da cabeça de um homem! E disse: ‘É essa pedra que você quer? Eu a encontrei na floresta. Tome-a’ O homem agarrou a pedra e saiu correndo para casa. Mas não pôde dormir aquela noite. Na manhã seguinte, muito cedo, foi onde o monge estava dormindo,
debaixo de uma árvore, acordou-o e disse: ‘Aqui está o seu diamante de volta. Quero a riqueza que o torna capaz de jogar a riqueza fora’. Isso é o que temos de descobrir se quisermos achar a alegria”
(Anthony de Mello).
Partilhar em grupo:
1. Qual é o seu verdadeiro tesouro, sua alegria?
2. A partir das parábolas, o que é catequizar? Nossos encontros, nosso ministério e nossa vida revelam que somos pessoas que encontraram a verdadeira alegria?
3. Qual a maior riqueza da catequese? O que fazer para ajudar catequista e catequizando a encontrar a verdadeira alegria?
4. Uma frase que sintetize a idéia do grupo sobre esse texto.