sexta-feira, 6 de maio de 2016

Do site do Padre Zezinho:

SE JESUS ME APARECESSE


Se Jesus voltasse do céu antes da parusia e me aparecesse em caráter particular eu acho que teria mais medo do que os três apóstolos que, mesmo convivendo com ele, esconderam o rosto diante do seu brilho. ( Mt 17,2 )
Ele sabe das minhas incertezas e do quanto não me sinto digno disso. Por isso, como aos discípulos de Emaús, (Lc 24,13) que, certamente, eram melhores do que eu e, como a Tomé ( Jo 20,27 ), que o amava mais do que eu o amo, ele teria que me provar ser ele e não uma ilusão minha. Eu apostaria na ilusão da minha parte, porque milhares se iludiram. Duvidaria, como os discípulos duvidaram do que viam.
Mas se, de fato, Jesus me quisesse dizer alguma coisa e me aparecesse eu pediria licença para consultar meus superiores. Oriento-me melhor pela sabedoria deles. Já vi o que acontece com videntes que não se deixam orientar por ninguém e com iluminados que consultam os outros, mas depois fazem exatamente o que querem.
Se Jesus me aparecesse, talvez eu lhe pedisse um tempo para pensar. Mas imagino que ele saberia explicar porque fez isso com um pecador! Os que dizem que Jesus lhes apareceu têm uma enorme responsabilidade pela frente. Imagino que saibam o que estão dizendo! Se for verdade, Deus seja louvado por mais este vidente! Se não for, Deus o perdoe por usar Jesus e seu santo nome!
Como Jesus nunca me apareceu até agora, nem nunca falou comigo eu vivo da catequese, da teologia e da ascese que aprendi. Aceito as conclusões da Igreja na qual fui batizado, dos teólogos e estudiosos da fé que certamente sabem mais do que eu. Sou um dos 99,99% de cristãos que nunca viram nem receberam visita ou aviso de ninguém do céu. Vivo de crer sem ver! Sobre isto Jesus afirma que é um bom caminho!(Jo 20,29)

quinta-feira, 5 de maio de 2016


 Em sua missão, o catequista deve ter presente que a formação da fé é um processo longo, que não se constrói de imediato, mas que se faz lentamente, com flexibilidade e com diálogo franco. O catequista deve considerar os “6 C”; compromisso, cooperação, concentração, crescimento, criatividade e carinho.
► O fazer catequético precisa ressoar como algo interessante, que dá esperança no caminhar e transforma a vida da pessoa, mesmo que tenha de enfrentar o sofrimento e a morte.
► O amor vem em primeiro lugar. O catequista não pede amor, deve oferecê-lo, para motivar seus catequizandos a viverem assim.Dom Bosco dizia assim em  relação a seu amor pelos jovens: “Eu por vocês estudo, por vocês trabalho, por vocês vivo, por vocês estou disposto, também a dar a vida”.
► A missão do catequista, que constrói a base para uma educação permanente da fé, deve levar em conta a integralidade da pessoa, que inclua, segundo Puebla, uma “formação para a vida política e a doutrina social da Igreja”.

► Ser catequista é uma conquista, exige de nós doação do melhor, por isso, ser catequista é lindo, mas exigente.  
A MISSÃO DO CATEQUISTA

► A catequese de nosso tempo vive momentos difíceis. Percebe-se que, em grande parte, o esforço não atinge o seu objetivo. As razões são muitas e difíceis de decifrar. Se de uma parte, percebemos que muitos catequistas continuam com uma catequese tradicional, de outra percebe-se uma grande quantidade deles com pouca experiência e pouca formação para dirigir um grupo de catequizandos.
► A missão do catequista percorre um árduo caminho, que é o do despertar o catequizando para que, consciente do seu trabalho no mundo e no contato com a criação, seja mais um cristão chamado a consagrar e santificar este mundo a partir de onde está.
► A missão do catequista depende da missão de toda a Igreja no mundo de hoje. Como catequistas, para qual modelo de Igreja queremos formar os adolescentes e jovens? Qual a catequese adequada para responder os desafios de uma sociedade em crise, para reativar uma vivência comunitária autentica?
► Muitos catequistas=catequese tradicional onde a CR ainda não chegou. A missão do catequista deve ser sempre renovada. O núcleo central da missão do catequista passa a ser a situação concreta, histórica, e o reconhecimento da presença de Deus nos acontecimentos do dia a dia.
►  Muitas vezes, perguntamos-nos em nossa catequese; por que os pais não participam? E logo nos vem à mente o saudosismo do passado, quando todos eram cristãos, a maioria ia a missa. O grande problema é que, diante disso, muitas vezes não reagimos, ou o máximo que fazemos é dar explicações, quem sabe para justificar nossa inabilidade. De outra parte, não conseguimos admitir que a catequese do passado é, em grande parte, a responsável por estes tímidos resultados que hoje vemos, pois os pais de hoje eram os catequizandos de ontem. As grandes massas de fiéis que no passado se diziam católicos, na verdade ou seguiam os pais e os avós ou achavam que se não o fossem, a sociedade os excluiria, e assim por diante.
►  O catequista deve ter sempre presente que a opção de fé é feita pessoalmente, ninguém pode fazer em lugar de outro; portanto, é uma opção livre. E é aí que reside a beleza da proposta de Jesus: sou livre para decidir se aceito ou não a sua proposta.Por isso, o catequista deve, cada vez mais, preocupar-se com o conteúdo da mensagem e a forma de transmiti-la, para que não seja algo particular, mas sim verdadeiro, com origem na Palavra de Deus. Fazer catequese não é “fazer de conta”; não se trata de embelezar números e estatísticas nem fazer festa, mas sim de adesão, opção, compromisso com Jesus e seu Reino.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016



Com alegria e animados pelo Espírito, cujo agir consiste em unir, chamar, congregar, superar barreiras e unir pessoas de boa vontade ao redor de objetivos comuns, apresentamos a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, com o tema “Casa Comum: nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).

Pela quarta vez, a Campanha da Fraternidade é realizada de forma ecumênica. Nesse ano, tem como objetivo geral “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

As reflexões sobre o saneamento básico contidas no texto-base demonstram que esse é um direito humano fundamental e, como todos os outros direitos, requer a união de esforços entre sociedade civil e poder público no planejamento e na prestação de serviços e de cuidados.

Desejamos que o texto-base contribua para mobilizar e criar espaços ecumênicos de comprometimento com a Casa Comum.

Nosso agradecimento especial a todas as pessoas que contribuíram com a redação desse trabalho, que reflete a soma de muitas experiências e compromissos. O texto foi elaborado em mutirão ecumênico. Todas as pessoas que colaboraram desde as primeiras palavras até a última revisão, colocaram a serviço do testemunho da unidade cristã seus dons e conhecimentos.

Acreditamos que um mundo de justiça e direito precisa ser construído assim: coletivamente, somando as criatividades, os talentos e as experiências em benefício do bem comum.

Que essa CFE fortaleça a fé e a esperança de uma Casa Comum, em que o direito brote como fonte e a justiça qual riacho que não seca!

Dom Flávio Irala – Presidente
Pastora Romi Márcia Bencke – Secretária-Geral

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A MISSÃO DO CATEQUISTA

► A catequese de nosso tempo vive momentos difíceis. Percebe-se que, em grande parte, o esforço não atinge o seu objetivo. As razões são muitas e difíceis de decifrar. Se de uma parte, percebemos que muitos catequistas continuam com uma catequese tradicional, de outra percebe-se uma grande quantidade deles com pouca experiência e pouca formação para dirigir um grupo de catequizandos.
► A missão do catequista percorre um árduo caminho, que é o do despertar o catequizando para que, consciente do seu trabalho no mundo e no contato com a criação, seja mais um cristão chamado a consagrar e santificar este mundo a partir de onde está.
► A missão do catequista depende da missão de toda a Igreja no mundo de hoje. Como catequistas, para qual modelo de Igreja queremos formar os adolescentes e jovens? Qual a catequese adequada para responder os desafios de uma sociedade em crise, para reativar uma vivência comunitária autentica?
► Muitos catequistas=catequese tradicional onde a CR ainda não chegou. A missão do catequista deve ser sempre renovada. O núcleo central da missão do catequista passa a ser a situação concreta, histórica, e o reconhecimento da presença de Deus nos acontecimentos do dia a dia.
►  Muitas vezes, perguntamos-nos em nossa catequese; por que os pais não participam? E logo nos vem à mente o saudosismo do passado, quando todos eram cristãos, a maioria ia a missa. O grande problema é que, diante disso, muitas vezes não reagimos, ou o máximo que fazemos é dar explicações, quem sabe para justificar nossa inabilidade. De outra parte, não conseguimos admitir que a catequese do passado é, em grande parte, a responsável por estes tímidos resultados que hoje vemos, pois os pais de hoje eram os catequizandos de ontem. As grandes massas de fiéis que no passado se diziam católicos, na verdade ou seguiam os pais e os avós ou achavam que se não o fossem, a sociedade os excluiria, e assim por diante.
►  O catequista deve ter sempre presente que a opção de fé é feita pessoalmente, ninguém pode fazer em lugar de outro; portanto, é uma opção livre. E é aí que reside a beleza da proposta de Jesus: sou livre para decidir se aceito ou não a sua proposta.Por isso, o catequista deve, cada vez mais, preocupar-se com o conteúdo da mensagem e a forma de transmiti-la, para que não seja algo particular, mas sim verdadeiro, com origem na Palavra de Deus. Fazer catequese não é “fazer de conta”; não se trata de embelezar números e estatísticas nem fazer festa, mas sim de adesão, opção, compromisso com Jesus e seu Reino.
►  Ler João 15, 1-11. Jesus é a videira, e seus ramos são os que o seguem, os que partilham entre si o que dele recebem. Comunidade é comunhão. Individualmente, cada um continua sendo um ramo, mas todos, para ter vida, devem estar ligados ao tronco, que é Jesus. Todos constituem a árvore, mas ninguém é dono dela. Não é possível ser cristão e viver de forma individualista. Só se vive o amor no relacionamento com os outros. O compromisso do catequista é fazer com que cada membro tenha consciência de ser ramo, ser parte de uma árvore cujo tronco emana a vida. Só assim produziram muito fruto.A missão do catequista na tarefa de construção da comunidade se faz com amor, paciência, coragem, despojamento, caridade, etc. Nesse processo, muitos ramos devem ser podados, mas isso é tarefa do “dono da vinha”. Com relação aos que “secam”, nosso dever é lutar, o quanto possível, para fazê-los tornar à vida, unindo-se a árvore e beneficiando-se de sua seiva.
► Em sua missão, o catequista deve ter presente que a formação da fé é um processo longo, que não se constrói de imediato, mas que se faz lentamente, com flexibilidade e com diálogo franco. O catequista deve considerar os “6 C”; compromisso, cooperação, concentração, crescimento, criatividade e carinho.
► O fazer catequético precisa ressoar como algo interessante, que dá esperança no caminhar e transforma a vida da pessoa, mesmo que tenha de enfrentar o sofrimento e a morte.
► O amor vem em primeiro lugar. O catequista não pede amor, deve oferecê-lo, para motivar seus catequizandos a viverem assim.Dom Bosco dizia assim em  relação a seu amor pelos jovens: “Eu por vocês estudo, por vocês trabalho, por vocês vivo, por vocês estou disposto, também a dar a vida”.
► A missão do catequista, que constrói a base para uma educação permanente da fé, deve levar em conta a integralidade da pessoa, que inclua, segundo Puebla, uma “formação para a vida política e a doutrina social da Igreja”.

► Ser catequista é uma conquista, exige de nós doação do melhor, por isso, ser catequista é lindo, mas exigente.  

sábado, 26 de dezembro de 2015

Leitura Orante – Sagrada Família

Leitura Orante –  Sagrada Família, 27 de dezembro de 2015

Família,  espaço humanizador

“Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura” (Lc 2,48)


Texto Bíblico: Lc 2,41-52


1 – O que diz o texto?
Jesus não sancionou nenhum modelo, como não determinou nenhum modelo de religião ou organização social. O que Jesus revelou não faz referência às instituições, mas às atitudes que os seres humanos deveriam ter em suas relações com os outros.

Não basta defender de maneira abstrata o valor da família. Tampouco é suficiente imaginar a vida familiar segundo o modelo da família de Nazaré, idealizada a partir de nossa concepção da família tradicional. Seguir a Jesus, às vezes, pode questionar e transformar esquemas e costumes muito enraizados em nós. A família não é para Jesus algo absoluto e intocável. Mais ainda. O decisivo não é a família de sangue, mas essa Grande Família que, nós seus seguidores, devemos ir construindo, escutando o desejo do único Pai-Mãe de todos.

O Evangelho de hoje deixa claro que Maria e José tiveram de aprender isso, não sem problemas e conflitos. Seus pais “não compreenderam as palavras que lhes dissera”. Só aprofundando em suas palavras e em seu comportamento diante de sua família, descobrirão progressivamente que, para Jesus, o primeiro é a família humana: uma sociedade mais fraterna, justa e solidária, tal como o Pai deseja.

Na “perda e encontro” de Jesus no Templo se condensa toda sua vida, que é buscar a Vontade do Pai.

Mas Jesus não é somente este jovem que decide “perder-se” no templo; é todo cristão que busca a Vontade de Deus; somos todos nós, convidados a “perder-nos” na busca de Deus, de seu Reino, da missão que Ele tem reservada para nós.



2 – O que o texto diz para mim?
Iniciado no templo de Jerusalém, o evangelho da Infância também se encerra neste ambiente, que é o coração espacial da encarnação. De fato, como dirá Jesus na sua última entrada na cidade santa, as pedras de Jerusalém gritam.

É a primeira iniciativa independente e consciente do adolescente Jesus: Ele está cortando muitos vínculos com um só gesto; não pede permissão aos seus pais, pois vive em sintonia profunda com o Pai.

À medida  que Jesus vai crescendo em idade, cresce também nele a consciência da sua relação com o Pai celeste. E, a partir dela, toma decisões por sua conta, sem consultar seus pais terrenos; decisões que não os surpreendem, mas que os fazem sofrer. O filho é um mistério para a mãe. 

Embora feita com todo o carinho de um coração de mãe, a pergunta de Maria – “Meu filho, porque agiste assim conosco?”-  mostra  sua perplexidade diante do comportamento de Jesus.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É a segunda estadia de Jesus no templo, depois da visita da circuncisão. 

Trata-se do seu ingresso oficial na comunidade hebraica, inaugurando sua maioridade.

É nessa ocasião que Jesus pronuncia as primeiras palavras registradas pelos evangelhos. E a primeira palavra, na prática é “Pai”, dirigida a Deus; “Pai” será também a última palavra pronunciada por Jesus, ainda em Jerusalém, mas no novo templo do Calvário: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc. 23,46).

Jesus voltará a Jerusalém outras vezes; aí vai morrer e ressuscitar, porque Jerusalém é o sinal da vida e da morte, das lágrimas e da beleza, do sangue e da luz.

Em Jerusalém, Jesus encontrara alegria e dor, morte e vida, acolhimento e rejeição;

Jerusalém é a cidade da história humana e da história salvífica: lá está a “casa” do templo, a “casa” do Senhor, e a “casa” da dinastia de Davi, da qual descende o Cristo.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, hoje só há uma condição para poder entrar em sintonia com o coração do Pai: sentir-se “perdido”, como Jesus, buscando o bem dos demais, o serviço da Igreja, do Reino de Deus... Diferentes maneiras de expressar o chamado a servir. 

Hoje, certamente Jesus não se “perderia” nos Templos (tão vazios) mas nos grandes centros, nos grandes shoppings, onde estão os novos sacerdotes, sem história e sem futuro, fazendo sacrifícios nos grandes altares do consumo. Ali podería encontrá-Lo questionando sobre a humanidade, criticando-os por fazer destes lugares um templo fechado, um verdadeiro bunker, um mercado de privilegiados, que fecha as portas aos irmãos mais pobres e necessitados.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Para Jesus é uma “necessidade” realizar na história concreta de sua vida o desígnio salvífico do Pai. Ela tem uma prioridade absoluta. Sobrepõe-se a todos os outros deveres, inclusive ao dever sagrado da piedade para com os pais.

Ele se “perderia” buscando os filhos do Pai abandonados à sua sorte, excluídos, perdidos nas ruas fedidas, explorados nos lugares de trabalho e sem nenhum tipo de segurança social. 

Hoje Jesus se “perderia” de novo nas peregrinações, se perderia  nos “novos templos”. E é ali onde posso encontrá-Lo. É a partir dali que Ele me convida a encontrar a vontade de Deus nos imigrantes, nos excluídos, nos irmãos e irmãos que arriscam tudo para dar vida, uma vida, às vezes mínima, sem privilégios, nem extras, para que suas famílias vivam com um mínimo de oportunidade. 

Porque não se pertence a si mesmo, Jesus também não pertence a seus pais terrestres.

Ele – sua pessoa, sua vida e sua missão – pertencem inteiramente ao Pai.

Estas primeiras palavras de Jesus me revelam onde está o centro de sua identidade e de sua missão: na sintonia e na comunhão com o Pai.



Fonte: 
Bíblia na linguagem de hoje –  Lc 2,41-52
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A vela e o fósforo

Certa vez, uma vela recusou-se a ser acendida pelo fósforo. Este lhe disse: “Eu tenho a tarefa de acender você!” Assustada, a vela respondeu: “Não! Isso não! Se eu me deixar acender, os meus dias estarão contados”. O fósforo perguntou:
“Você prefere passar a vida em brancas nuvens, sem cumprir a missão para a qual você existe?” “Mas queimar dói e me consome!” sussurrou a vela, insegura e apavorada.
“É verdade”, explicou o fósforo. “Mas é este o segredo de nossa realização. Somos criados para servir. E se eu não acender você, perco o sentido da minha vida. Eu existo para acender fogo. Você existe para iluminar e aquecer”.
E continuou: “Tudo o que você oferecer através da dor, do sofrimento e do empenho, será transformado em luz. Consumindo-se, você não se acabará, mas outros passarão o seu fogo adiante. Você só morrerá se recusar a ser acendida”.
Nesta hora, a vela afinou o seu pavio e disse ao fósforo: “Peço a você que me acenda”. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Desenhos para colorir Igualdade Racial - Somos Iguais





FILHO PREDILETO de (Erma Bombeck)

Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu: 
"Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
E, como mãe, lhe respondo: o filho predileto, é
aquele a quem me dedico de corpo e alma...
É o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que estuda, até que aprenda.
O que está com frio, até que se agasalhe.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que se cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que cale.
E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou...
...até que o reencontre... 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Os pessimistas, os otimistas e os radicais

Certa vez um índio que morava a beira de um rio, cansado de perder tudo para a enchente que vinha todo ano furiosa e engolia ocas, plantações e tudo mais que eles tivessem conquistado, resolveu colocar um plano em ação. Todo ano era a mesma coisa, a tribo toda subia para a colina e, após a enchente destruir tudo, eles faziam novas ocas no chão ainda molhado e plantavam sementes. A tribo não se mudava daquela área, pois ali a terra era produtiva. Não havia uma rota de fuga, teriam que aprender a viver ali. Mas aquele índio cresceu vivendo aquela situação e todos da tribo já estavam acostumados. Alguns de tão acostumados, quando começava a chover, já derrubavam as ocas e saiam destruindo as plantações. Aquele índio era diferente, ele não se conformava com aquela situação e sempre falava para o povo da tribo "vou dar um jeito de não perder tudo para a enchente", e começava o burburinho. Os pessimistas cochichavam: "espia ta doido, esse ai já não tem mais cura". Os otimistas falavam: "tomara que ele consiga e ajude a todos nós". E os radicais já davam um grito lá do fundo: "esse ai ta cheio de espíritos malignos". E todos da tribo se assustavam e se afastavam daquele índio. Mas ele não se abalou, colocou seu plano em ação e começou a construir uma oca alta, bem acima do chão. No entanto todas as ocas da tribo eram junto ao chão, aquilo era loucura para os outros índios e muitos juravam que não iria dar certo. Durante dias ele saía para a mata e pegava tudo que iria precisar: troncos de árvores, palhas, bambus, cipós e foi amontoando tudo frente a sua oca.
O Chefe da tribo incomodado com os falatórios foi falar com o índio e questionar sobre aquela obra. O chefe começou a fazer perguntas para aquele índio que corria contra o tempo, pois faltavam poucas luas para o início das chuvas. O índio respondia as indagações do chefe apenas com uma frase "eu vou tentar". O chefe da tribo, então, o deixou em paz após ouvir sempre a mesma resposta: "eu vou tentar". Enquanto isso, todos olhavam tudo que aquele índio fazia. Os pessimistas cochichavam: "não vai dar certo, tá na cara". Os otimistas falavam: "que rapaz corajoso, vai dar certo". E os radicais gritavam: "espia, fazendo um templo a mando do coisa ruim". E todos se assustavam e se afastavam daquele índio. Faltava apenas uma lua para as chuvas chegarem e aquele índio parecia que havia ficado surdo e não escutava ninguém que viesse falar que aquilo era loucura e que não iria dar certo.
Ele já havia cavado buracos e fincado troncos no chão, inúmeros troncos ele colocou em buracos que cavou há dias sem a ajuda de ninguém. Ele fez um piso com amarrações de cipós, junto a bambus, palha e barro para cobrir e formar um piso e, então, construir sua oca e plantar sementes em cima daquele chão que acabou de levantar. Fez tudo com muito zelo e cuidado, certificando se que tudo havia ficado firme.
Ninguém da tribo sabia, mas aquele índio orava à Deus todos os dias e no coração dele havia a certeza que a resposta era: "Sim, você vai conseguir". Fortalecido pela fé ele continuava surdo e não ouvia ninguém que viesse falar que aquilo era loucura e que não iria dar certo. Ao terminar a obra e com os gotejo da chuva que estava por vir, muitos índios já estavam rente a colina e alguns ainda tentaram convencer aquele índio a ir junto, mas ele continuava firme em sua decisão. De cima da colina todos avistavam a tribo e a construção daquele índio. A chuva começou a cair e todos olhanvam atentos o que iria acontecer. O rio, então, começou a subir. Os pessimistas cochichavam: "vai cair tudo e ele vai vir pra colina toda molhado, espia". Os otimistas falavam: "deu certo”. E os radicais gritavam: "isso é pacto com o coisa ruim, mas não vai demorar a cair". Mas ninguém se assustou e muitos queriam estar lá, junto daquele índio que havia se tornado um exemplo de coragem e perseverança. Passaram-se dias e o rio subiu como todos os anos, a enchente veio e destruiu as ocas da tribo e as plantações. Menos a oca daquele índio que estava alta, feito uma colina, mas aquela não foi Deus que criou com suas próprias mãos e, sim auxiliou seu filho diante de sua coragem e força de vontade.
Após o término das chuvas, os índios voltaram da colina e todos começaram a fazer uma construção igual a daquele índio, mas os poucos pessimistas e radicais que sobraram falavam: " Hum! Não caiu agora, mas qualquer vento que vier derruba."
Não ouça os pessimistas, muito menos os radicais, pois esses sempre irão te falar que não dará certo, que não haverá benefício naquilo que você está fazendo. Seja como aquele índio, peça à Deus, confie nele e ponha seu plano em prática. Seja surdo para aqueles que vierem dizer que é loucura e que não dará certo e se vierem questionar, responda: "eu vou tentar". Fortaleça sua fé e o resultado será grandioso!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A MOÇA DO POTE VAZIO de Jacob Petry

Naquele tarde caminhamos por um longo tempo. Ao contrário dos outros dias, o Mestre falava pouco. Restringia-se a fazer perguntas sobre a arte de viver em sociedade. Quando chegamos à margem do lago, contou-me a seguinte história:

"Muitos séculos atrás, um rei muito sábio e rico habitava uma ilha do Mediterrâneo. Certo dia, ele adoeceu e decidiu passar, ainda em vida, a coroa ao filho. Segundo a tradição, o princípe deveria se casar antes de assumir o trono. O príncipe então resolveu escolher sua esposa. Para isso, marcou uma celebração especial onde lançaria um desafio. A moça que vencesse o desafio, tornaria-se sua esposa.
Uma serva do palácio ouviu os comentários sobre o desafio e se sentiu muito triste, pois sabia que sua filha, uma moça humilde mas muito bela e honesta, nutria um sentimento especial pelo príncipe. Seu sonho era algum dia, pelo menos, poder ver o príncipe de perto.
Quando a mãe chegou em casa, a filha estava a sua espera. Ela também já havia sido informada sobre as intenções do príncipe, e esperava a autorização da mãe para participar do desafio.
Cética, a mãe tentou desencorajá-la.
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes as mais belas e ricas moças da corte.Tire esta ideia da cabeça. Eu sei o quanto gosta do príncipe, sei que deve estar sofrendo, mas não transforme esse sofrimento em uma tortura ainda maior.
- Mãe, respondeu a filha, sei que dificilmente serei a escolhida. Mas é minha única oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe. Isto já me fará feliz.
A mãe acabou consentindo, e no dia da celebração, a moça foi ao palácio. Lá, de fato, estavam não só as mulheres mais belas e ricas da ilha, mas também as de inúmeras ilhas vizinhas. Seus vestidos eram lindos. Estavam cobertas de joias valiosas e com maquiagens impecáveis. A moça, tímida e humilde, manteve-se discreta num canto, esperando o príncipe anunciar o desafio. Enfim, o momento chegou:
- Darei a cada uma de vocês, disse o príncipe, a semente de uma rara espécie de flor. Daqui a três meses, vamos ter outra celebração. Aquela jovem que souber cultivar melhor a semente, e trouxer a flor mais bela, será a minha esposa.
A filha da serva pegou sua semente e foi para casa muito feliz, repleta de esperanças. Na verdade, contra todas as perspectivas, ela teria uma chance: ela somente precisaria cultivar a flor com todo cuidado possível. Era isso que ela faria.
Na manhã seguinte, plantou a semente num vaso e passou a tratá-la com todos os cuidados possíveis. Desejava que a beleza da flor fosse da intensidade de seu amor pelo príncipe. Se isso fosse acontecer, ela já se sentiria satisfeita.
O tempo foi passando. Um mês depois, a semente ainda não havia germinado. A jovem tentou de tudo, fez uso de todos os métodos que conhecia, mas não conseguia fazer com que a semente germinasse. Dia após dia, seu sonho parecia mais difícil de se realizar; mas seu amor não permitia que ela desistisse. Por fim, os três meses haviam passado e a semente não havia germinado. E agora, o que fazer?
Dias antes da celebração ela já implorava, desesperada, para sua mãe a deixasse retornar ao palácio. Ela não pretendia nada além de passar mais alguns momentos na companhia do príncipe. Queria ficar perto dele, só isso.
Por fim, para satisfazer o desejo da filha, a mãe consentiu que ela fosse.
No dia da celebração, ela estava lá. Temendo que talvez não a deixassem entrar sem a flor, ela levou seu vaso vazio. Todas as outras jovens traziam flores lindas, robustas, coloridas e cheirosas. Havia rosas, violetas, jasmins, orquídeas, todas, das mais variadas formas e cores.
A pobre filha da serva do palácio estava triste, frustrada e envergonhada com seu pote vazio. Sentia-se humilhada, mas também grata por estar ali. O que ela poderia ter feito se a semente não germinou?
Na metade da noite, chegou o grande momento da escolha. As mulheres foram todas colocadas em um círculo.Para ficar mais perto dele, a moça foi para o círculo com seu pote vazio.
O príncipe observou cada uma das pretendentes curtiu muito as flores que haviam trazido. Após analisar uma a uma, ele retornou ao centro para anunciar o resultado. Que surpresa: entre todas, o príncipe escolheu justamente a filha da serva do palácio, que trazia um pote vazio.
As pessoas tiveram as reações mais inesperadas. Ninguém compreendeu porque o príncipe havia escolhido justamente aquela moça que nem mesmo conseguira cultivar sua semente. Então, calmamente, o príncipe explicou o motivo da sua escolha.
-Esta moça, ele disse, foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar minha esposa e rainha. Ela cultivou a flor da honestidade. Pois, todas as sementes que distribui naquela noite, trinta dias atrás, eram sementes falsas, e portanto, estéreis."
Quando a história terminou, o Mestre seguiu em silêncio. Depois, ele se voltou para mim, colocou a mão sobre meu ombro e disse:
- Muitas vezes, ser quem verdadeiramente somos parece muito pouco. Aparecer com um pote vazio, quando todo mundo aparenta ter conseguido cultivar flores robustas e coloridas, parece duro, árduo, triste e até humilhante. Mas nada impressiona e recompensa tanto quanto a honestidade, ainda que ela seja feia como um pote vazio.
Em seguida, disse que já estava na hora dele partir.

Reflexão com Cortella